A mesma Rota das Padeiras, pão sempre novo

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Em Vale de Ílhavo a tradição ainda é o que era

Água, farinha, fermento e sal, “a simplicidade do nosso pão é que o torna tão bom”, garante João Torrão, da Associação Cultural e Recreativa ‘Os Baldas’, anfitriã da Rota das Padeiras, que este ano decorreu entre os dias 9 e 12 de março.

Um dos fornos do certame

Quando este certame começou em 2009 estavam presentes vinte e três padeiras. O ano passado atingiu-se o valor mínimo de doze, este ano erguem-se quinze painéis na parede, para enaltecer os rostos que dão a cara por este ofício “muito trabalhoso: trabalhamos de noite, é preciso vender o pão de dia”, como explicou Ana Amador, de 33 anos, filha do senhor Álvaro Amador, profissionalmente padeira há dez anos. “O meu pai trabalhava com a minha mãe, depois a minha mãe ficou doente e morreu e então eu comecei a trabalhar com ele”. Licenciada em gestão, é a padeira mais jovem e vê-se a fazer este trabalho enquanto for possível. Confia no produto e por isso acha que a concorrência é saudável:

“cada uma tem a sua maneira de trabalhar, mas o pão mantém-se fiel à tradição”.

Fernando Caçoilo, Presidente da CMI

Considera que a Rota das Padeiras atrai “cada vez mais pessoas (apesar do tempo não ajudar). A maioria já vem a saber qual o fornecedor que quer. Às vezes surge um ou outro novo cliente”, continuou.

Fernando Caçoilo, presidente da Câmara Municipal de Ílhavo (CMI), parceira deste evento, relembra que “Rota molhada, Rota abençoada”. E João Torrão reforça que “O ideal era que vendessem tudo”. O anfitrião garante, pelo menos que “há cada vez mais interesse em saber como é que o pão é feito”. Prova disso foi a adesão à novidade “Porta aberta” que permitia ao público em geral assistir à preparação da massa e ao fazer do pão.

“A afluência foi bastante. Esgotámos as várias sessões de 20 pessoas”,

disse João Torrão, acrescentando que “as pessoas querem saber o que estão a comer. Era bom que a divulgação e a colaboração com as padeiras, a CMI e a Junta de Freguesia de São Salvador, permitisse que as gerações novas se interessem por isto, contrariando a tendência a que acabe”. Pelo menos é este um dos principais objectivos com a “concentração das padeiras num único lugar, onde podem mostrar os seus produtos. O interesse é mostrar a qualidade do nosso pão e mostrar como ele é feito”, concluiu.

Na sede d’Os Baldas em Vale de Ílhavo

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