Porque não deve ‘tapar o sol com a peneira’

Apesar de terem elevados índices de cura, os cancros da pele continuam a ter maior incidência, em Portugal. O Jornal ‘O Ilhavense’ falou com o especialista Manuel Sereijo e explica-lhe como é que a prevenção e o auto-exame podem ajudar a salvar a sua vida.

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Em Portugal, como na Europa, os vários tipos de cancros de pele têm vindo a aumentar e existem já mais de 3,5 milhões de casos. Assim, nos últimos anos, a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), trabalha em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV), desenvolvendo ações “de educação e sensibilização, em relação aos cuidados a ter com o Sol, no âmbito da Prevenção Primária do Cancro da Pele, junto dos agentes de saúde, educação e na sociedade civil”. Estas ações têm o apoio da Direção Geral da Saúde (DGS) e desde 2017, também de 131 Câmaras Municipais do nosso país, sendo que, a prevenção é uma função de cada um.

O dermatologista Manuel Sereijo, disse ao Jornal ‘O Ilhavense’ que, “há doenças que são provocadas pelo Sol, outras são agravadas pelo Sol. Pode dizer-se, grosso modo, que 90% dos cancros da pele são provocados pela exposição excessiva ao Sol”. Os cancros mais habituais podem desgranar-se por Carcinoma Basocelular, Carcinoma Espinocelular, Queratose Actínica e Melanoma (que é o mais mortal).

“É importante a pessoa conhecer-se: saber qual é a sua constituição física, o seu fototipo, o seu historial clínico e familiar”

Manuel Sereijo relembra que “apanhar Sol é necessário, nomeadamente para a retenção da vitamina D, mas não há necessidade de o fazer de forma exagerada. Hoje até existem suplementos a que se pode recorrer”. O dermatologista alerta para os grupos de risco, como as crianças e os idosos, mas também as pessoas que trabalham ao ar livre.

Aconselha que, pessoas que tenham sido transplantadas, sejam doentes ou tenham predisposição genética para este tipo de doença, tenham cuidados acrescidos. O médico ilhavense sublinhou que os efeitos do Sol são cumulativos e que, por isso pessoas que ao longo da vida apanharam ‘escaldões’ recorrentemente ou que, por norma fazem longas exposições ao Sol estão mais sujeitas a desenvolver cancros de pele, assim como pessoas que frequentam solários: “devem ter muito cuidado com as condições de segurança dos locais onde fazem solário: se são feitos controlos periódicos, que respeitam as normas, que têm profissionais preparados e com que frequência o fazem, porque ficam sempre envelhecidas precocemente”.

Com mais de trinta anos de carreira, Manuel Sereijo acrescenta que “evitar a exposição excessiva ao Sol não é só uma questão de saúde, é também fundamental para prevenir o fotoenvelhecimento: porque depois as pessoas ficam com manchas, com rugas e os tratamentos são caros e a maioria não tem poder de compra para isso. Ter um comportamento preventivo aliado à hidratação, é fundamental”.

Como prevenir?

  • Vestuário adequado: chapéu, óculos de sol, roupa
  • Permanecer debaixo do guarda-sol nas horas de maior calor, ter atenção à radiação refletida
  • Evitar a exposição solar direta entre as 12h/16h
  • Exposição solar gradual e progressiva; diga não aos vulgares ‘escaldões’
  • Aplicar protetor solar de fator 50+, 15 a 30 minutos antes da exposição ao sol e repetir a cada 2h e após banho.

Leia a reportagem completa na edição em papel.

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