Salvador Sobral volta a arrebatar Casa da Cultura

    Ílhavo: Alexander Search foi musicado por Júlio Resende e muitos ‘Pessoa’ estiveram presentes

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    Alexander Search na Casa da Cultura de Ílhavo
    Alexander Search na Casa da Cultura de Ílhavo

    O projeto cultural da Câmara Municipal de Ílhavo (CMI), ’23 milhas’ continua a proporcionar encontros, para que a comunidade viva ‘a cultura do dia-a-dia’. Assim, a banda Alexander Search subiu ao palco da Casa da Cultura na noite de domingo, dia 3 e quase esgotou a sala.

    “Estamos muito felizes por podermos contribuir para o vosso domingo, que é um dia em que, normalmente não acontece nada. Esperamos que possam levar alguma coisa daqui”, palavras de Júlio Resende ao público, nos primeiros momentos de apresentação, em que Salvador Sobral brincava sobre quem era o líder.

    Musicar poemas da literatura inglesa de Fernando Pessoa foi o desafio a que o músico se propôs e, ao Jornal ‘O Ilhavense’ explicou porquê: “surgiu de uma necessidade/fantasia de criar uma banda de garagem, de rock, quando somos jovenzinhos. Eu queria tocar em grupo, depois de tocar sozinho. Andava a ler a poesia inglesa de Fernando Pessoa e sentia que havia ali o espírito juvenil que me interessava tentar transformar em música e nessa banda de garagem, meio roqueira, meio adolescente”, começou por dizer Júlio Resende.

    “Poemas de quem quer provar alguma coisa, mas de quem já sabe muita coisa”

    Salvador Sobral - Alexander Search
    Salvador Sobral (Benjamin Cymba) – Fotos: CMI

    Foi assim que o artista leu Alexander Search, que neste disco ganha vida através da eletrónica de Sgt. William Byng (André Nascimento), da percussão de Mr. Tagus (Joel Silva) e da guitarra de Marvell K. (Daniel Neto), além da interpretação de Benjamin Cymba (Salvador Sobral) e do piano de Augustus Search (Júlio Resende), que também se encarregou da composição e direção musical deste semi-heterónimo de Fernando Pessoa.

    Augustus Search (Júlio Resende)
    Augustus Search (Júlio Resende)

    Para Júlio Resende esta foi “uma escolha natural, são meus colegas de outras bandas, são companheiros de longa data e músicos extraordinários, a quem eu tiro o meu chapéu”.

    Apesar de Salvador Sobral não ter sido o primeiro nome que veio à mente do músico, para cantar estes poemas, foi uma escolha feita antes de todo o processo pelo qual o vencedor do Festival da Eurovisão teve de passar:

    “ele na altura era um jovenzinho, bastante desconhecido, felizmente, e, entretanto, bastante conhecido, também felizmente. Sim, tivemos de pensar, sobretudo na questão dele de saúde, adiar alguns concertos, mas agora que a saúde está restabelecida, regressámos e estamos a fazer concertos, com a maior parte das salas esgotadas”, disse com satisfação.

    Durante o espetáculo o cantor esteve sempre a interagir com o público, provocando vários momentos de riso e boa disposição. Salvador disse que tentou entrar no espírito deste personagem “mais calmo”, mas que não conseguiu evitar o seu próprio frenesim, quando canta. O público aceitou o desafio e nas últimas canções várias pessoas se levantaram e dançaram na primeira fila, com Benjamin Cymba, o que fez as delícias do grupo que, ao jornal ‘O Ilhavense’ disse: “o público foi muito carinhoso e respeitador! Adorámos que tivessem dançado!”.

    “I love the real, when i love my dreams” (eu amo o que é real, quando amo os meus sonhos)

    Fernando Pessoa passou parte da sua infância em África do Sul, produzindo logo bastante literatura em língua Inglesa. Estes poemas terão sido escritos entre os 12 e os 16 anos, a idade da sua “rebeldia”. ‘A day of sun’ (um dia de sol), ‘Far way’ (longe), ‘If only you tell me all’ (se, ao menos, tu me dissesses tudo), ‘Hope for the best (and for the worst prepared)’ (à espera do melhor, mas preparado para o pior), foram alguns dos poemas cantados por Salvador Sobral, que os caraterizou como “Super profundos, mas bastante simples”, na falta de um sinónimo para “simples”. Júlio Resende disse também que absorver Pessoa é um processo: “as coisas belas fazem-nos parar, não saber como reagir”.

    Leia a notícia completa na edição em papel.

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