Movimento Nossa Rua Nossa Casa

Moradores promovem ações de sensibilização de condutores alertando para a segurança rodoviária

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Rua do Norte - Gafanha de Aquém. Foto: Pedro Marieiro. Moradores atuam junto dos condutores alertando para a segurança rodoviária.
Rua do Norte - Gafanha de Aquém. Foto: Pedro Marieiro

Mais sinalização para promover a segurança e evitar acidentes

Logótipo - Movimento Nossa Rua Nossa Casa
Logótipo – Movimento Nossa Rua Nossa Casa

Um grupo de moradores, da Gafanha de Aquém e da Boavista, tem vindo a promover ações de sensibilização para a segurança rodoviária, junto dos condutores da Rua do Norte e da Rua do Sul.

O movimento faz parte de uma mobilização comunitária, intitulada “Nossa Rua Nossa Casa”, que teve início em 2017 e visa “rever a configuração do espaço público” perante as “necessidades dos moradores” e das pessoas que ali transitam.

São cidadãos que já terão vivenciado acidentes e situações “fatais” naquelas estradas e que pedem agora mais sinalização e segurança rodoviária às entidades competentes.

Ação de sensibilização na Rua do Norte, Gafanha de Aquém – 12 Junho 2018. Moradores atuam junto dos condutores alertando para a segurança rodoviária.

As 3 ações agendadas para este mês (dias 12, 20 e 27) contam com o apoio da Guarda Nacional Republicana (GNR) local.

A primeira sessão teve início na Rua do Sul (Gafanha da Boavista), seguindo depois para um ponto central da Rua do Norte (Gafanha de Aquém).

Condutores desconhecem limite de velocidade de 40km/h

Na primeira ação foram abordados cerca de uma centena de automobilistas que, na sua maioria, “agradeceram as informações”. Segundo os intervenientes, os condutores “concordam que a via é perigosa e que é difícil manter a velocidade exigida”, confessando desconhecerem o limite de velocidade na Rua do Norte [40km/h].

O grupo de moradores está a recolher dados sobre o movimento rodoviário habitual naquelas estradas, que serão resumidos após as 3 ações de sensibilização.

A segunda sessão, precisamente na data desta edição, decorre das 15h00 às 18h00, na Rua do Norte e a terceira e última decorrerá a 27 de junho (quarta-feira), das 10h00 às 13h00, na mesma rua.

“A configuração das nossas ruas é de uma pista de corrida” – explica o grupo de moradores, em declarações por email, ao Jornal “O Ilhavense”.

“Não temos passeios nem passadeiras, a sinalização é precária ou não existe. Os ciclistas são ignorados e as nossas casas estão danificadas devido ao intenso fluxo de pesados.”

“É visível o quanto o progresso desta região amparou a livre circulação de automóveis e pesados e negligenciou património, peões, ciclistas e moradores.”

O Movimento Nossa Rua Nossa Casa quer reverter esta situação, defendendo que a rua deve ser “espaço público de todos e não um arquivo de acidentes e de óbitos.”

No panfleto distribuído aos condutores, os moradores relembram o limite de velocidade permitido dentro das localidades, confessando temer pelas suas vidas e das suas crianças, ao ver a velocidade com que “muitos transitam”.

 “Se estiver com muita pressa, indicamos vias alternativas para a sua segurança e rapidez”

No folheto informativo, os moradores sublinham a ausência de passeio contínuo, passadeiras e ciclovia, sugerindo trajetos alternativos aos condutores:

  • “A17 – IC1 é o caminho mais seguro para a Zona Industrial das Ervosas”;
  • “Para a Zona Industrial da Mota, Vagos e outros, opte pela Estrada da Floresta e o contorno para a fora da zona residencial – entre a rotunda do ‘Eurocash’ e a do Ecoponto/Armazéns da Câmara”.
Gafanha de Aquém
Gafanha de Aquém. Foto: Movimento Nossa Rua nossa Casa

“O desconto de uma portagem não compensa o valor de uma vida”

Enumeram ainda os valores das coimas, inibição de condução e pontos na Carta de Condução, por excesso de velocidade, previsto no Código da Estrada:

  • De 41 a 60 km/h: 60€ a 300€;
  • De 61 a 80 km/h: 120€ a 600€, de 1 a 12 meses e 2 pontos;
  • De 81 a 100 km/h: 300€ a 1500€; de 2 a 24 meses e 4 pontos;
  • Mais de 100 km/h: 500€ a 2500€; de 2 a 24 meses e 4 pontos.

Reunião com a Câmara Municipal de Ílhavo

A 26 de fevereiro deste ano, 8 representantes do grupo reuniram-se com o Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) – Fernando Caçoilo.

“O Sr. Presidente da CMI acedeu ao nosso pedido de alterar o limite de velocidade para 40 km/h na Rua do Norte, que é uma rua residencial dentro de localidade com fluxo constante de automóveis, pesados, ciclistas e peões. Houve também acordo para a mesma proposta na Rua do Sul, mas já passaram 4 meses e ainda não foi feita a sinalização,” explicam ao Jornal “O Ilhavense”.

“Para a Gafanha de Aquém, todas as intervenções foram adiadas para o fim das obras de saneamento.”

Já para a Gafanha da Boavista, o grupo foi informado que esta seria a última das Gafanhas a receber obras de saneamento (devido à densidade demográfica).

“Insistimos que fossem pintadas passadeiras para peões, nomeadamente no acesso aos contentores do lixo…”.

Para os moradores, a Rua do Norte apresenta a situação mais dramática com a “quase inexistência de sinalização e um movimento muito grande de automóveis e camiões pesadíssimos a transformá-la numa pista de aceleração onde até parece mal andar dentro dos limites da lei.”

Na mesma reunião, quando questionado sobre o desvio dos veículos pesados da Rua do Norte, Fernando Caçoilo terá dito aos representantes do grupo que não existe alternativa, “a não ser as autoestradas com portagens”, referindo ainda que as empresas “fogem disso, passando por onde podem e não podem.”

Bombeiros Voluntários de Ílhavo

A associação de moradores reuniu-se também, a 7 de maio, com o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo – Carlos Mouro – que concordou com a existência de uma situação “difícil e perigosa”, principalmente na Rua do Norte, com a “passagem de muitos veículos em alta velocidade” chamando a atenção para a “importância de sinalizações mais enfáticas e delimitadores de velocidade”.

Foi ainda debatida a colocação de mais passadeiras na Rua do Norte, considerando a possibilidade de algumas serem “alteadas”.

Guarda Nacional Republicana

Houve também uma terceira reunião, a 14 de maio, com a GNR, onde se evidenciou o reconhecimento do problema e se anunciou que o mesmo será “trabalhado” por aquela entidade.

Discutiu-se a existência de “corredores de circulação” para os veículos pesados, que “sobrecarregam o trânsito e afetam diretamente a segurança”.

Partilhando a opinião dos moradores, o Comandante do Destacamento Territorial de Aveiro – João Pedro Rodrigues, sublinhou a necessidade de haver “duplicação da sinalização existente” e que seria pertinente que esta fosse luminosa, acrescentando a ideia de instalar “passadeiras de nível”, semelhantes às que foram feitas em Vagos.

As atas das reuniões estão publicadas na página de Facebook do grupo, em www.facebook.com/nossa-RUA-nossa-CASA-163453784148388.

No documento mais recente, o grupo de moradores destaca a “importância do posicionamento” da Câmara Municipal de Ílhavo, do Comandante dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo e da GNR face à sua situação, agradecendo às respetivas entidades e sublinhando o “alento” com que recebem este “apoio”. Esperam agora que as medidas prometidas pela autarquia sejam cumpridas brevemente.

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