O bombista duplamente suicida

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Escrevo estas linhas uns dias antes da sua publicação, pelo que o seu conteúdo pode ser ultrapassado pelo alucinante ritmo a que se sucedem as decisões judiciais ou os comunicados e conferencias de imprensa dos mais diversos órgãos (oficiais, oficiosos, piratas…) que hoje compõem (?) o Sporting Clube de Portugal, grandiosa instituição com 112 anos de vida.

Trinta dias volvidos sobre a selvagem invasão à Academia de Alcochete, podemos compilar alguns números e tentar aferir o “momento” do Sporting de forma o mais objetiva possível:
Rescisão de nove jogadores (seis deles titulares indiscutíveis, onde se incluem os quatro internacionais que faziam do Sporting o clube mais representado na Seleção Nacional, o melhor marcador do clube desde Mário Jardel e ainda duas das suas maiores promessas); 575 milhões de euros em cláusulas de rescisão (as tais que blindariam o clube do assédio dos tubarões europeus e dos empresários sem escrúpulos, mas infelizmente não previram “negligência interna ao mais alto nível”); Cerca de 200 milhões de euros de valor de mercado; Reembolso do empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros adiado de 25 de maio para 26 de novembro; Empréstimo obrigacionista previsto para dia 28 de maio (15 milhões de euros) travado pela CMVM devido à instabilidade vivida no clube; Ações da SAD a cair 17,5%.

A estes números, que se podiam juntar outros, há que acrescentar que a dias do início da nova época, o Sporting não tem treinador nem Departamento Clínico, apresentando um plantel onde oito dos onze jogadores que iniciaram a final da Taça de Portugal já não estão no clube.

Enfim, o Sporting vive a estranha e trágica situação de ser liderado por um “bombista duplamente suicida”, pois ao contrário do tradicional, que se sacrifica para destruir o “inimigo”, este além de “rebentar” consigo próprio, consegue destruir igualmente o clube que diz amar e defender.

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