100 Anos de História e Trabalho

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Fábrica de Porcelana da Vista Alegre

Em Portugal há uma série de empresas centenárias que sobreviveram a duas guerras mundiais, ao 25 de Abril, ao processo de descolonização, às crises do petróleo, aos conflitos geracionais e familiares, às crises financeiras do país e aos processos de quase falência, pelo que mencionamos aqui alguns exemplos que mantêm um grande património histórico e cultural.

A região do Porto tem várias fábricas de pequena dimensão e de actividades distintas, que já ultrapassaram os 100 anos de trabalho. A Manuel Alcino & Filho é uma fábrica de transformação artesanal de prata que funciona desde 1902 e já vai na quinta geração familiar. A Fábrica de Papéis Pintados da Foz começou a sua actividade de transformação de papel em 1887 com produtos únicos no país, como sejam as serpentinas, confetis, papel parafinado, crepado, gomado e alcatroado. A Fabrica de Tecidos Invicta está em actividade desde 1876, dedicando-se à produção e venda de passamanarias, como pequenas fitas de tecido, elásticos e cordões, sendo gerida pela terceira geração familiar. A Fábrica Viarco – actualmente a única fábrica de lápis da Península Ibérica – foi criada em 1907 com o nome de Portugália tendo sido registada com o nome Viarco em 1936 pelo seu novo dono.

Embora a sua fundação tenha sido em 1869 com o nome Livraria Chardron e mais tarde Livraria Lello & Irmão, só a partir de 1995 ficou definitivamente com o nome Livraria Lello, que é uma das mais bonitas do mundo e todos os anos é visitada por cerca de um milhão de pessoas.

A Fábrica de Faianças das Caldas da Raínha começou a sua produção em 1884, dando visibilidade às peças do grande artista Raphael Bordallo Pinheiro. O seu notável trabalho na cerâmica brilhou com as figuras populares como o Zé Povinho, a Maria Paciência e o Polícia, entre outras. Depois de ter entrado num processo de falência foi adquirida e integrada no grupo Visabeira.

A Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, fundada em 1824 por José Ferreira Pinto Basto, é uma das mais antigas da Península Ibérica.

Teve épocas de grande sucesso industrial com a colaboração de artistas nacionais e estrageiros de renome que contribuíram para a criação e desenvolvimento da sua escola de desenho, pintura e escultura, dando a esta marca o brilho e a fama internacional que granjeou ao longo dos séculos. Por ali passaram artistas portugueses como Roque Gameiro, Duarte José Magalhães, Ângelo Simões Chuva, Leitão de Barros, Palmiro Peixe e Armando Pimentel, entre muitos outros. Na categoria de escultores em 2001, a fusão da Vista a VA também teve artistas de renome tais como Delfim Maria de Sousa Maya, Armando de Carvalho Mesquita, Manuel Valente Franco Morgado, António Soares dos Reis, Fernando Jorge Sarabando, João da Silva, Carlos Calisto, Nelson de Almeida Silva, entre outros. Com o grupo Atlantis deu origem ao maior grupo nacional de utensílios de mesa e sexto maior do mundo neste sector, com o nome Vista Alegre Atlantis. Não conseguiu ultrapassar a crise financeira de 2008, tendo sido adquirida, no ano seguinte, pelo grupo Visabeira, que ficou com o controlo total da marca VAA e assegurou a sua continuidade histórica e laboral, produzindo, actualmente, porcelana, cristal, louça de forno, faiança e vidro manual.

Fábrica de louças da vista alegre – Ílhavo – Vista aérea

A VAA está presente em muitos países do mundo e tem como prioridade aumentar a sua presença na América Latina, em particular no México – país com cerca de 128 milhões de habitantes – onde a VAA abriu uma filial em junho passado, prevendo grande crescimento para este mercado.

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