Afinal quem é que mais utiliza a hipocrisia política!…

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Os emigrantes portugueses merecem bem maior respeito do que aquele que os seus políticos lhe manifestam quando tomam atitudes que nem eles próprios entendem!
Comentando o anúncio do secretário-geral socialista de que o apoio ao regresso dos emigrantes será uma prioridade, o PSD e o CDS emitiram recentemente a opinião que o anúncio em questão revela “hipocrisia política”, enquanto o BE afirmou que o Governo tem travado medidas nesse sentido. A iniciativa “seria extremamente significativa se fosse coerente com a prática do Governo e da maioria que o suporta”, disse à Lusa o deputado social-democrata José Cesário, eleito pelo círculo de fora da Europa e que ocupou o cargo de secretário de Estado das Comunidades Portuguesas no anterior executivo, liderado por Pedro Passos Coelho (PSD/CDS-PP).

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e vêm agora falar de hipocrisia aqueles que “empurraram” os licenciados portugueses para o estrangeiro.

Relembremos algumas declarações à época em que se apontou a porta da rua aos licenciados português:

Em dezembro de 2011, numa entrevista ao Correio da Manhã, «Passos Coelho aconselhou a emigração aos professores desempregados. “Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra qualificada e de professores. Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa»
De Alexandre Mestre, secretário de Estado da Juventude e Desporto, no governo de Passos Coelho, registe-se o que disse na altura:

«No dia 31 de outubro de 2011, Alexandre Mestre, secretário de Estado do Desporto, disse no Brasil que disse que os jovens portugueses desempregados, em vez de ficarem na “zona de conforto”, poderiam emigrar, noticiou a Lusa. “Se estamos no desemprego, temos de sair da zona de conforto e ir para além das nossas fronteiras”, disse o governante à Lusa, acrescentando que o país não pode olhar a emigração apenas com a visão negativista da “fuga de cérebros”»…

A 6 de novembro, em entrevista dada ao Correio da Manhã, Alexandre Mestre desmentiu estas declarações, mas a Lusa manteve-as.

Miguel Relvas, ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares

A 16 de novembro de 2011, a oposição pediu a Relvas para comentar as declarações de Alexandre Mestre. A resposta foi esta:

“Quem entende que tem condições para encontrar [oportunidades] fora do seu país, num prazo mais ou menos curto, sempre com a perspectiva de poder voltar, mas que pode fortalecer a sua formação, pode conhecer outras realidades culturais, [isso] é extraordinariamente positivo”, declarou.

“Nós temos hoje uma geração extraordinariamente bem preparada, na qual Portugal investiu muito. A nossa economia e a situação em que estamos não permitem a esses activos fantásticos terem em Portugal hoje solução para a sua vida activa. Procurar e desafiar a ambição é sempre extraordinariamente importante”, prosseguiu Relvas»…

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e vem afora falar de hipocrisia aqueles que “empurraram” os licenciados portugueses para o estrangeiro.

Por estes dias o secretário-geral do PS, António Costa, anunciou este domingo que o Orçamento do Estado para 2019 vai ter como prioridade o apoio ao regresso dos portugueses que emigraram no período de crise económico-financeira entre 2010 e 2015. De imediato, caiu-lhe o Carmo e a Trindade em cima:

Para o deputado do PSD, o anúncio é “absolutamente hipócrita”, vindo de um Governo “que suspendeu, sem reformular, o programa ‘Vem’ [lançado pelo executivo de Passos Coelho], que tinha exatamente esse objetivo de apoiar o regresso de emigrantes, e que tinha já candidaturas aprovadas”.

José Cesário recordou ainda que o PS tem chumbado iniciativas, nomeadamente da bancada laranja, para que sejam apoiados portugueses que regressem de países em crise, como a Venezuela, Angola ou África do Sul. “Não consigo compreender como vem agora eleger esta prioridade, porque é absolutamente incoerente. Se é uma assunção de culpas e um pedido de desculpas aos portugueses pelo que têm feito, eu compreendo. Se não é, é mera demagogia”, considerou José Cesário.

Leia o artigo completo na edição em papel.

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