A topiária é a arte de podar ou cortar plantas com o objetivo de criar formas esculturais. A palavra é oriunda do Latim “topiarius” e pode significar “jardineiro, jardinagem ou paisagismo”.

A arte da topiária, ou jardinagem artística, é muito antiga. Presente na Roma antiga, a prática foi difundida por toda Europa na Era Medieval ganhando grandes adeptos durante o Renascimento; período em que jardins de famosos castelos, mosteiros e conventos, apresentavam a arte da poda artística nas suas plantas.

O Jornal “O Ilhavense” foi conhecer um dos poucos artistas que se dedica a esta atividade nos dias de hoje.

José Jesus Vilarinho, nasceu no número 32 da Rua Central, na Gafanha do Carmo, a 13 de janeiro de 1948. Ali cresceu e estudou, começando a trabalhar na agricultura, que era a atividade principal de seus pais. Na casa que deles herdou, em jeito de homenagem, tem painéis de azulejo de sua autoria, alusivos à arte do cultivo. Num dos lados tem também um painel do Farol da Barra, em homenagem a Ílhavo. Há pouco tempo aprendeu a restaurar azulejos para reparar a fachada da casa.

Andou na escola na Gafanha do Carmo e depois na Escola Industrial e Comercial de Aveiro (EICA), no Curso de Comércio. No entanto, sempre teve uma veia artística que o manteve ligado às artes, nomeadamente à pintura e, mais tarde, à escultura e topiária.

Na casa que era de seus pais criou um jardim repleto de tópias detalhadas, “pintadas” com arbustos de diferentes espécies e de vários tons de verde. Já tem recebido visitas de várias pessoas e até excursões de outras zonas do país.

Explicando a construção de uma tópia de uma mulher numa bicicleta

Enquanto aparava algumas das tópias da entrada da casa, explicou-nos como começou a interessar-se por esta atividade: por casualidade, há 22 anos, foi a uma loja de plantas, em Ovar, onde viu esculturas de arbusto à venda, vindas de Itália. Olhando para o preço elevado das mesmas, pensou: “Talvez eu fosse capaz de fazer este tipo de trabalho.” Trouxe várias plantas para tentar reproduzir a arte e correu bem. Inclusivamente replantou todas, que “pegaram” muito bem. Desde então começou a interessar-se pela jardinagem artística, desenvolvendo as suas competências, e nunca mais parou, sendo esta a sua principal ocupação nos dias de hoje, apesar de manter uma drogaria aberta ali perto (Casa Jovi), explorada pelo seu filho.

Diz haver muita procura em topiária, e já não precisar de “mais trabalho” devido ao tempo que cada planta necessita, periodicamente, para manutenção.

“Se eu não gostasse do trabalho que faço, não aguentava tantas horas de trabalho”, afirma.

Tópia de um moliceiro, no jardim de sua casa, na Rua Central – Gafanha do Carmo

A maior parte dos seus clientes são privados, mas também trabalha para instituições, como a Junta de Freguesia da Gafanha do Carmo (no cemitério e no posto médico local, onde mantém uma reprodução em tópia do símbolo do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que é único no país).

Leia o artigo completo na edição em papel.

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