Uma carreira de regressos às aulas

Todos os anos há milhares de professores a aguardar por setembro para saber qual será o seu destino, durante um ano. Fazem as malas, despedem-se da família, deixam a sua terra e partem para trabalhar.

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Sofia Martinho com os formandos finalistas de um Curso EFA, no Agrupamento de Escolas Coelho e Castro em Fiães, em 2013. Fotos cedidas pelas docentes entrevistadas

Por norma, em Portugal, o ano letivo começa em setembro. Com mais ou menos antecipação, pais, filhos, mas também professores e auxiliares de educação, preparam-se para mais um ano de aulas.

Este ano letivo arrancará entre os dias 12 e 17, segundo fonte oficial da tutela, alguns bebés e crianças já regressaram aos infantários e ao pré-escolar, falta pouco para que os outros ciclos regressem à escola, jovens estão prestes a conhecer as universidades onde foram colocados, etc. Fazem-se listas de compras, para o material escolar, para a roupa nova (de educação física ou das respetivas fardas), mas para alguns professores, a lista inclui também, procurar casa, reunir loiças, eletrodomésticos e outros acessórios, que possam ter de levar, para aquela que será, ‘a sua casa’ e ‘a sua escola’, pelo menos até 2019.

De acordo com a Pordata, em 2017 havia 145.549 professores, em Portugal, sendo que, 16.148 são da educação pré-escolar, 29.861 do 1º ciclo do Ensino Básico, 23.973 lecionam no 2º ciclo e 75.567 dão aulas ao 3º ciclo do Ensino Básico e Secundário.

Segundo noticiou o Público recentemente, foram aceites 96.044 candidaturas para preencher as 3486 vagas existentes, para aceder aos quadros. Estes quase 100 mil são um valor recorde, na história dos concursos de colocação dos professores.

Também esta semana, a Direcção-Geral da Administração Escolar (DGAE) publicou as listas provisórias dos dois concursos externos abertos, para a entrada no quadro de contratados e do concurso interno destinado (para professores que querem mudar de escola). Em relação ao concurso interno, foram apresentadas 39.299 candidaturas, comparativamente às 9911 do ano passado. Continua a rondar os 50 mil, o número de candidaturas ao concurso externo ordinário (56.745).

Sofia Martinho (41 anos), vive em S. Salvador desde 2015, é da Gafanha da Nazaré, mas sabe bem o que é mudar de casa:

Desde 2013 que tenho ficado colocada na região de Aveiro. Antes disso, lecionei 7 anos no estrangeiro, em missões de cooperação internacional para o Ministério dos Negócios Estrangeiros (Timor Leste, Suíça, Guiné-Bissau) e 6 anos pela região centro-norte de Portugal (Oiã, Espinho, Oliveira de Azeméis, Fiães, Vila Nova de Gaia…). Continuo a ser professora contratada, todos os anos letivos faço o concurso de Contratação Inicial, para além do Concurso Externo.

Sofia Martinho

Um processo moroso, que só foi possível para esta docente de Português e Inglês, com 19 anos de carreira, pela capacidade de tomar decisões e pelo desprendimento para fazer cedências: “No início de carreira, tive de optar entre a vida familiar e a profissional. Foi necessário ir lecionar para o estrangeiro, acumular tempo de serviço, para conseguir regressar e posteriormente trabalhar como professora contratada. Caso contrário, tenho noção de que não conseguiria ser docente na atualidade e já teria desistido da minha área de formação, como aconteceu a tantos professores que se formaram na mesma altura”, explica ao Jornal ‘O Ilhavense’.

Neste momento, para dedicar-me à estabilidade da minha família e ao meu projeto de vida familiar, tenho de abdicar da entrada para os quadros, que sei só ser atingível em zonas pedagógicas mais longe. Resumindo, desde que encontrei a minha vocação profissional no ensino foi impossível ter proximidade geográfica, estabilidade familiar e de contrato ao mesmo tempo. Foi sempre necessário fazer opções, conjugar etapas e prescindir de algum objetivo de vida…

Leia o artigo completo na edição em papel.

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