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Ílhavo
Domingo, 21 Outubro 2018

João Alberto Capucho

Homens e Mulheres que em terra também escreveram a História de Ílhavo

Prosseguindo com a rubrica em título, iniciada na nossa edição de 20 de setembro p.p., e relembrando os objectivos desta rubrica – “Homens e Mulheres que em terra também escreveram a história de Ílhavo, pretende igualmente, dar a conhecer às gerações vindouras e aos mais jovens, muitos daqueles que, exercendo as suas profissões em Terra – (professores, “mestres”, ferreiros, carpinteiros, comerciantes, lavradores, figuras típicas ilhavenses, entre outros), gente que labutou muito para conseguir o seu próprio sustento e o do seu agregado familiar, não deixando de contribuir para a história, engrandecimento e notoriedade da “Terra dos Ílhavos”.

O nosso entrevistado deste mês, foi também Artista de Pintura da Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, de seu nome João Alberto Biscaia Capucho.

João Alberto Capucho (1.º à direita) ouvindo explicações do Mestre Palmiro Peixe

Nasceu em 1936, no lugar da Apeada, Vista Alegre. Filho de Joaquim Santos Capucho, e de Maria de Jesus Biscaia ambos funcionários da Vista Alegre.

Estudou na Escola Industrial Fernando Caldeira, de Aveiro.

Aos 12 anos de idade, ingressou na Fábrica de Porcelanas da Vista Alegre, onde teve como Mestre de desenho João Cazaux tendo sido também acompanhado pelo Escultor de Belas Artes, Altino Maia.

Prato pintado à mão com ilustração de uma famosa “obra” de Celestino Gomes

A partir de 16/01/1953 passou a frequentar aulas de Pintura tendo tido como Mestre Palmiro Peixe e como orientador outro Grande Mestre de Pintura, Armando de Oliveira Pimentel. 

“O Ilhavense” (ILH): Depois da sua aprendizagem concluída, qual foi o seu primeiro trabalho a passar-lhe pelas mãos? E como foi a ascensão na carreira?

João Alberto Biscaia Capucho (JABC) – Antes de tudo recordo que, nestas alturas, se faziam umas exposições de desenho e pintura, pelas Festas de Nossa Senhora de Penha de França onde ganhei alguns prémios. As primeiras peças que decorei foram as moringas (miniaturas) em Azul, com o letreiro “Flores da Minha Terra”, para o cliente A.C.H. Brito, do Porto, utilizadas para guardar e conservar essência de alfazema.

Seguiram-se outras pinturas, sempre orientado pelos Mestres Palmiro Peixe e Armando Pimentel, até que, passados alguns anos, ingressei na Oficina de Pintura já como Pintor, onde tive, como Chefes os saudosos Sr. Ângelo Chuvas e o Sr. João Esteves de Almeida.

Depois fui chamado para a Secção Artística, que funcionava na Sede do antigo Sport Clube da Vista Alegre, secção essa chefiada pelo Sr. Constâncio, sem perder o contacto com os Mestres Palmiro Peixe e Armando Pimentel. Aqui, recordo a saudosa Sra. Arcelina, e na escultura os colegas e amigos Joaquim Andrade, e os colegas e amigos Carlos Calisto e João Grave.

Talha ilustrando figuras ilhavenses representadas em painel de azulejo na Rua Arcebispo Pereira Bilhano

Mais tarde, já na Fábrica, trabalhei com diversos colegas e sob a chefia do Mestre Armando Pimentel no maravilhoso serviço que o General Craveiro Lopes ofereceu à Rainha de Inglaterra (1995) e também trabalhei na execução do serviço que a VA fez para o multimilionário Grego Onássis.

O Ilhavense: Outros destaques achados interessantes na sua carreira?

J.A.B.C: – No seguimento da minha carreira profissional na Vista Alegre, fui chamado a trabalhar com o saudoso Mestre António Egídeo, grande artista de pintura na altura em que, na Fábrica da Vista Alegre, se pintavam peças de alto valor artístico. Recordo-me, por exemplo do Serviço “Silveira”, de formato, com brazão do Sr. Engº. Coutinho, aliás, um Serviço maravilhoso.

Mais tarde, já na época do Sr. Engº. Faria Frasco, foi montada nova Oficina de Pintura, chefiada pelo Mestre Armando Pimentel onde foram pintadas as séries especiais e limitadas sobre biscuit. Várias dessas peças passaram pelas minhas mãos merecendo a melhor dedicação e qualidade as esculturas como as célebres: pombos americanos; predizes; os flamingos e rabilongos; e outras. Esta terá sido a fase mais marcante da história da Vista Alegre no que diz respeito à pintura sobre biscuit, técnica impressionante e até inovadora. Realço ainda o grande trabalho em conjuntos de serviços de mesa, chá e café, para a Comemoração do 4º. Centenário da Cidade do Rio de Janeiro, Brasil, serviços pintados conjuntamente que alguns colegas na sua maiior parte já falecidos, com excepção do Mestre Armando Pimentel, felizmente ainda vivo.

De realçar também um belo trabalho em serviços de mesa, chá e café pintados especialmente para o Presidente do Brasil, General Médicis, um trabalho conjunto com outros dois grandes artistas, Mário Duarte e Humberto Gaspar, este já saudoso, de que guardo gratas recordações.

Relembro ainda algumas exposições em que participei, tais como: AveiroArte; Exposição de cerâmica no Hotel da Curia, exposição internacional de cerâmica artística no Palácio Nacional de Sintra, na Galeria Municipal de Ílhavo (pintura de porcelana e cavalete.

Prosseguindo e já a trabalhar no meu próprio Atellier, apraz-me recordar a ilustração da Talha com figuras ilhavenses aqui reproduzida fazendo parte de uma fachada numa casa comercial na Rua Direita em Ílhavo.

Leia a entrevista completa na edição em papel.

João Alberto Biscaia Capucho – o Homem, o Mestre, a figura que hoje cabe na nossa rubrica “Homens e mulheres que em Terra também escreveram a história de Ílhavo”.

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