João Lourenço e Nicolás Maduro

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Apesar de todas as diferenças, a começar pela geografia das nações, os nomes que dão conteúdo a este texto têm afinidades e dissemelhanças. Ambos são líderes máximos dos seus partidos, com raízes históricas nas lutas de libertação dos seus povos, do campo político da esquerda, têm ligações profundas ao nosso país e, tanto num caso como no outro, o poder foi-lhes delegado após a saída de José Eduardo dos Santos e Hugo Chávez. No primeiro caso, uma entrega de poder depois de 38 anos de presidência angolana. Já Chávez governou 14 anos, tendo sido vítima de uma doença que o obrigou a resignar. Agora, Maduro e Lourenço governam Venezuela e Angola, assimetricamente.

Nicolás Maduro assumiu a presidência venezuelana em 2013, tendo encabeçado a candidatura do Partido Socialista Unificado da Venezuela (PSUV), que juntou a si vários outros partidos do espaço da esquerda venezuelana, incluindo o Partido Comunista Venezuelano, num caminho iniciado pelo seu antecessor. Pese embora as profundas desigualdades do país, as altercações políticas, através do esvaziamento do parlamento nacional e a sua substituição por uma assembleia constituinte fiel ao regime, acompanhadas pela imposição de uma política económica que, na sua produção de resultados, parece fazer lembrar a Nova Política Económica, mostram ser iniciativas cuja única ação foi piorar a já muita frágil economia venezuelana.

A prisão de oponentes políticos e pessoas comuns que, manifestando-se na rua, se demonstraram contra a ação do executivo, somando-se a um êxodo profundo de pessoas que fogem do país por medo da fome, da violência e escassez de trabalho e dinheiro, não podem funcionar como agregador social. A realidade, diga-se, é que mesmo com trabalho e salário, o dinheiro não chega para os bens essenciais. E perante tudo isto, o regime acusa os países vizinhos que têm acolhido os refugiados venezuelanos, e ainda os EUA e a UE, de serem os causadores de todos os problemas do país. Uma abordagem que pode não colher frutos, enquanto os homicídios e a corrupção crescem dentro do próprio regime.

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