O Matroco

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Antigamente, podia-se jogar à bola na estrada… improvisavam-se as balizas com caliças, erva das valetas e mochilas… (mochilas não, não se usavam) sacos dos livros escolares. De quando em quando alguém gritava “pára a bola que vem lá um carro!…)

A bola era uma relíquia e o seu proprietário, por mais tosco que fosse na arte do chuto, tinha o direito de fazer as equipas e decidir quem é que ficava de fora ou não, era ele que mandava, jogava sempre o tempo todo e às vezes simultaneamente até fazia de arbitro… depois mudava-se aos dez e acabava aos vinte e assim sucessivamente horas a fio…

Desta vez o dono da bola era o Rosmaninho, mais conhecido por “Matroco”. Não sendo grande espingarda na arte (também não era desajeitado de todo) tinha força e era alto só que zarolho, olhava para os dois lados ao mesmo tempo, como as galinhas, ou melhor como os galos para não o ofender, pois quando lhe chamavam galinha, ele respondia de tal maneira que só de me lembrar até a tinta se me avermelha.

Essa sua disfunção física, era um complemento bastante precioso para a simulação e consequente finta, o adversário via-se sempre às aranhas se o olhava nos olhos… então nos pénaltis era uma consumição para os guarda redes que evitavam encará-lo de frente, olhos nos olhos, e assim mandavam-se ao calhas para um lado qualquer e fosse o que Deus quisesse… também nunca era golo… já vos explico porquê.

Podendo o estrabismo ser, segundo um certo ponto de vista, uma grande arma no futebol, na realidade no Matroco, funcionava mais como uma grande desvantagem pois nunca acertava com a baliza… e acertar na bola era também uma sorte… pontapés em falso eram mato, até se dizia que o Matroco tinha pouca visão de jogo, era pouco visionário…

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