A Carrinha da Gulbenkian

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Carrinha da Gulbenkian

A biblioteca itinerante da Gulbenkien, era no jardim Henriqueta Maia às primeiras terças feiras de cada mês. Era uma festa… “Os Cinco na Casa do Mocho”, “Os Cinco e a Ciganita”, “A Volta ao Mundo em Oitenta Dias”, “A Ilha do Tesouro” e todas as aventuras e desventuras dos bons e dos maus, dos índios e dos piratas, todos esses que habitavam o nosso imaginário nessa idade onde a curiosidade era infinita e todos os sonhos eram possíveis. Nesse tempo, toda a nossa Terra estava ao alcance dos nossos braços e era demasiado pequena para os nossos passos… íamos dos Moitinhos às Gafanhas, da Vista Alegre à Coutada ou de Vale de Ílhavo à Mota, enquanto o diabo esfregava um olho, a pé ou de bicicleta, assim vinha de todos os cantos, a rapaziada que convergia para a carrinha cinzenta citroen HY, estacionada na banda norte do jardim em frente ao saudoso Atlântico Cine Teatro. Só quando uma terça feira dessas fosse feriado, dia santo ou carnaval, é que não havia livros. O Encarregado, que nunca saía do lugar de condutor era o que executava o serviço de conferir e recepcionar os livros e registar as novas requisições e o Auxiliar andava entre os “clientes” aconselhando, orientando e gerindo as entradas e as saídas (só podiam estar cinco utentes de cada vez dentro do espaço). Os requisitantes, eram, na maioria, rapazes e raparigas adolescentes, mas também aparecia gente adulta e até mesmo alguns velhotes. Já não me recordo bem, mas penso que só se podiam requisitar no máximo cinco ou seis livros.

Certa primeira terça feira de um mês de um desses anos já tão longínquos no tempo mas tão próximos na memória, a carrinha atrasou e a bicha foi-se formando por ordem de chegada… a malta sabia que ela tardava mas não faltava, por isso ali estávamos firmes no nosso posto marcando o precioso lugar. De repente, sem vento nem mau tempo, desatou a chover… e que carga de água nos apanhou a todos desprevenidos e de “corpinho bem feito”…

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