Na Barbearia do Serrão

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Armindo, António Serrão e José Morgado, na esquina do Café Central - Foto: João Aníbal Ramalheira - www.ramalheira.com

Quem conheceu o António Serrão, o barbeiro, recorda-se de que ele tinha, de dez a quinze centímetros, uma perna mais curta do que outra. A sua barbearia ficava na “garganta do Amador”, num sítio que nunca via o sol, entalada entre a Tricana e a loja expositiva da drogaria Bela à esquina do beco da Carvoeira. Lá por dentro era toda verde (e por fora também), pois o Serrão era mais sportinguista do que o Sporting. Parece que ainda o estou a ver, sempre com as suas piadas constantes e apimentadas, ainda recordo pérolas como esta: “Não sei se o meu defeito é na perna esquerda ou na direita… na perna do meio é que não é de certeza!” ou esta “Estava um frio de rachar e eu encolhido à porta da Anitex em corpinho bem feito !” como são tantas, tal qual as saudades, em sua homenagem conto só mais uma “Não foi nenhum acidente, não senhor, eu já nasci assim, torto, como a minha mãe era lavadeira, eu penso até que fui feito em cima da tripeça!”.

Antes do Serrão se dedicar definitivamente, àquela sua atividade, que seria a derradeira, que era a de bombeiro no posto de gasolina do “Neves & Capote”, (lembro-me do o ver render o serviço com o seu grande amigo, o também saudoso Paroleiro das bicicletas), cortava-me o cabelo. Na minha adolescência foi sempre ele o meu barbeiro (naquele tempo, recordo o meu avô recomendar: “Nunca se deve mudar de alfaiate nem de barbeiro!”).

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