CASCI – Entrevista

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O CASCI é uma Instituição de referência, não apenas no concelho como em todo o país, tanto pela abrangência como pela qualidade dos serviços que presta

Felisbela Bernardo, Presidente da Instituição, respondeu a O Ilhavense

Quantas pessoas apoia o CASCI neste momento?

O CASCI tem à disposição da comunidade quatro grandes áreas de atuação: Infância, Acolhimento, Reabilitação e Ação Social. Face a isto, o CASCI dá apoio, direta e indiretamente, a cerca de 1593 utentes, contando com uma equipa de 245 colaboradores.

A pandemia obrigou a algumas alterações significativas?

O aparecimento da Pandemia obrigou-nos a fazer alterações profundas. Desde logo, a elaboração do Plano de Contingência, muito rigoroso, como medida de contenção da doença nas nossas Respostas Sociais e que iremos manter enquanto durar a pandemia. Há uma enorme preocupação no seu cumprimento, por parte dos nossos colaboradores e por todos nós.

Para além das medidas mais comuns como o distanciamento, o reforço da higienização dos espaços, os equipamentos de proteção, medição diária da temperatura e a sensibilização, decidimos o encerramento dos lares, mesmo antes da determinação da Direção Geral de Saúde (DGS)., o que provocou, no início, algumas críticas por parte das famílias. Devido à aposta na prevenção, com incidência no recurso às boas práticas e à responsabilização de cada um, temos, até agora, os nossos utentes calmos, a fazerem a sua vida dentro da normalidade existente antes do Covid-19 aparecer.

Como viveram esses tempos?

Esses tempos foram vividos com muita angústia e preocupação. A proteção de todos os que se encontram à nossa responsabilidade contra esse vírus que ninguém conhecia, e que, dia após dia, provocava mais infeções no país e sobretudo em lares, era a nossa obsessão. E, claro, por momentos, pareceu-nos que o céu desabava sobre nós, mas não nos deixámos derrubar e pusemos mãos à obra. Começámos por distanciar, por alas, dentro dos lares, todos os utentes, definindo para os mesmos utentes, os mesmos cuidadores, evitando a variedade de contactos. Informámos as famílias que iríamos interditar as visitas para evitar eventuais contaminações. Passados dias, o Governo tomou essa mesma decisão para todos os lares do país. Optámos por privilegiar, em toda a Instituição, a comunicação através dos recursos digitais. O nosso lema era a prevenção, com base no distanciamento social, reforço da higienização e responsabilidade.

Até hoje, ainda não se registou qualquer caso de covid-19 nesta instituição e tudo faremos para que assim continue.

Dificuldades, quais as fundamentais?

Houve, de facto, muitas dificuldades. Uma das mais relevantes teve a ver com a aquisição de material de proteção que escasseava no mercado e era caríssimo. Perante esta situação, resolvemos confecionar nós próprios máscaras sociais, utilizando o material adequado e a eficácia possível, recorrendo a algumas colaboradoras nossas com jeito para costura. Logo que o mercado se recompôs, as máscaras sociais, dentro de todas as nossas respostas, deram lugar às cirúrgicas, por orientação da DGS.

Foi nos lares que estas dificuldades mais se manifestaram, pelo simples facto das outras respostas tais como, a infância, formação profissional, Centros de Atividades Ocupacionais e a ação social no âmbito do Centro Comunitário, terem sido, entretanto, suspensas por ordem governamental.

Como já referi, as famílias, de um modo geral, tiveram confiança e compreenderam todo este processo, dado que também elas estavam preocupadas com os seus familiares.

E apoios?

Houve muita generosidade por parte de todos os organismos, quer privados, quer públicos. Estabeleceu-se uma rede solidária muito grande com empresas que nos ofereceram equipamento e manifestaram a ajuda possível.

Não posso deixar de salientar o contributo e a prontidão com que a Câmara Municipal de Ílhavo se apresentou em todo este processo. Desde o primeiro momento, o Sr. Presidente acompanhou de perto a vida da instituição no âmbito do Covid-19. Todas as semanas, as instituições do Concelho, detentoras de lares, a Câmara Municipal de Ílhavo o Centro de Saúde e a Segurança Social reuniam para partilharem entre si os problemas, as angústias e sobretudo as boas práticas, numa perspetiva de interajuda. A sensação de que não estamos sós deu-nos mais segurança para continuarmos.

Refiro também a Junta de Freguesia de São Salvador que, desde a primeira hora, se prontificou em ajudar-nos com material de protecção e outros. É muito gratificante sentir esta união nas horas difíceis.

Já recomeçaram as atividades das crianças?

Reiniciámos as atividades em 18 de maio com a creche e em junho com o pré-escolar, Centros de Atividades Ocupacionais e formação profissional.

Nos primeiros dias, verificou-se alguma preocupação, mas foi-se ganhando confiança e a adesão foi aumentando. Acreditamos que a partir de julho acabaremos por normalizar.

Implementámos as mesmas medidas rigorosas de segurança, de acordo com as orientações da DGS. O que foi acatado por todos, com respeito e compreensão.

As crianças estão saudáveis e felizes a fazerem aquilo de que gostam: brincar e conviver com os amigos.

Finalmente, considera provável um novo surto?

Se irá haver novo surto de Covid-19 ou não depende do comportamento individual dos cidadãos. O CASCI irá continuar a trabalhar da forma como tem trabalhado até aqui, com tenacidade, resiliência, cautela e muita responsabilidade.

Se este comportamento de todos continuar a ser adotado, iremos certamente combater o vírus até ao fim com sucesso.

Por fim, quero agradecer a todos as entidades e empresas que nos têm apoiado e felicitar, mais uma vez, todos os colaboradores do CASCI que estiveram e estão nos nossos lares, na linha da frente, pelo esforço tenaz e pela responsabilidade que mostraram até agora. A todos(as), o meu muito obrigada.

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