(excerto)
Acho que é normal questionarmo-nos sobre o que andamos aqui a fazer, qual o nosso propósito, para onde caminhamos. Admito que, no dia a dia, não penso tão recorrentemente sobre isto, (penso mais do que devia, talvez) mas, nos recomeços, nos fins, nos primeiros passos de retorno à caminhada depois de uma pausa repentina, tudo se torna uma questão.
Perguntei-me ontem, antes de adormecer: porque escrevo? Se é que escrevo, o que escrevo e porque escrevo? Inicialmente, não me lembrei de uma boa resposta que justificasse este fim. Já tudo foi pensado, já tudo foi dito, já tudo foi escrito e registado. É o meu lado fatalista das coisas quando penso que já não caibo neste mundo cheio.
De repente, pareceu-me indubitável que escrevo porque, apesar de tudo, certamente nunca ninguém reuniu em si os mesmos pensamentos e as mesmas memórias que eu. Não quer dizer que tenha algo de novo, de importante ou de fascinante para vos escrever hoje. Nem pensem. Mas tenho aquilo que acaba por ser só meu, uma experiência que me pertence e que procura, algures, alguém que se identifique com ela, nem que seja numa única frase. Todos o procuramos.
(…)
Pode ler o texto completo n’O Ilhavense, nº 1407,
de 15 de outubro de 2026.
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