(excerto)

Há um filme de 2006 chamado “Idiocracia” que, apesar da execução algo medíocre, apresenta uma tão excelente premissa que ainda hoje é lembrada quando se pretende discutir idiotices reais.

No filme de Mike Judge, um homem de intelecto médio é selecionado para um projeto secreto de hibernação. Acontece que Joe Bauers é esquecido e acabará por acordar num futuro tão idiota que é facilmente visto como a pessoa mais inteligente daquela sociedade.

A idiotice pode ser intemporal, mas a idiocracia será mais recente, tendo talvez o seu início na viragem do século passado para o atual, tomando o lugar do analfabetismo. Digamos que começou com reality shows e a partir daí percorremos um caminho que passa pelas redes sociais, a substituição de informação por painéis de comentário e uma insatisfação com o status quo que levou à ascensão de criaturas questionáveis como Trump, Bolsonaro, Milei ou Ventura.

Para além da idiotice, há um adormecimento – afinal somos o país dos brandos costumes, mas nem sempre foi assim. O Séc. XIX português foi palco de grandes sublevações, assim como as primeiras três décadas do Séc. XX, mas ficámos entorpecidos por Deus, Pátria e Família ou por Fado, Futebol e Fátima. Passados pouco mais de 50 anos da Revolução dos Cravos, “é o que temos” passou a ser mote e, assim, “cá estamos”, que também é muito usado.

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Pode ler o texto completo n’O Ilhavense, nº 1407,
de 15 de outubro de 2026.
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