O Marcílio

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“Quantos anos terá o Marcílio?” perguntava alguém ao vê-lo passar de sacola às costas… “Sei lá!” respondia um… “Uma mancheia deles!” respondia outro… mas foi o ti Moniz que lhe definiu a idade:

“Quando eu era garoto já ele era velho!”…  notariou…

Assisti a esta conversa, ao comprar tabaco para o meu avô, na tasca do Pauzinho, num dia de se erguer o arco da Senhora do Pranto, ou melhor os arcos da Senhora do Pranto…

O Marcílio – Foto de Álvaro Rocha

Naquele tempo eram dois: o do ti Barreto e do ti Casimiro Pires (que foi o meu primeiro e único barbeiro de que lembro chorar pelo corte ao ver-me ao espelho) …  neste caso era o do ti Barreto pois escavavam na calçada um dos buracos, o Ernesto Batateiro e o Chimpona mesmo em frente à porta da então Câmara Municipal… o lugar do arco do Ti Casimiro era em frente às lojas do Ti Madeira e da Dona Zeza e Ti Armando e já estava hirto pois era sempre o primeiro a tocar o céu…

Fui, logo pela manhã, com o Quim Anadia, o Chocha e um carro de mão, a casa do Ti Lérias, mordomo mor da festa, buscar cordas, que outrora já foram cabos no mar do Senhor, explicou…

Após este arco erguido, copos ao alto e uns foguetes. Lá íamos nós, garotos, apanhar as primeiras canas da época… a seguir era o sô Jesus…

Voltando ao Marcílio. Naquele tempo não havia contentores do lixo, este era recolhido à porta ou às esquinas por camiões da Câmara (conduzidos pelo ti Zuca Cova, pelo ti Batel ou pelo ti Valdomiro de Vale de Ílhavo) e iam descarregar na lixeira situada no Beco das Agras, hoje Beco das Mariposas, assim batizado por causa da novela Gabriela. O ti Zana era o funcionário responsável pela lixeira e o Marcílio o seu melhor amigo, companheiro de copos e de condição, por isso, único, prioritário e exclusivo pesquisador de papel, de papelão, de farrapo e de tudo que ao peso se transacionasse. Eu e meus companheiros da zona, íamos frequentemente, à socapa, para que eles não nos escorraçassem, esgaravatar no lixo em busca de “coisas”…

E como eu gostava de encontrar livros…

Um dia, vi lá o Marcílio com um saco de serapilheira carregado deles…

Leia o artigo completo na edição em papel.

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