Fuseta e Ílhavo geminadas no próximo ano

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Os dois presidentes - Fuseta e Ílhavo

O “namoro” arrasta-se há três anos e o “casamento”, já anunciado, terá cerimónia marcada na nossa terra, tudo o indica, no próximo mês de maio, sendo os “votos matrimoniais” posteriormente confirmados na Fuseta em data a determinar, mas também em 2019.

Conforme é sobejamente conhecido a Fuseta e Ílhavo têm uma história comum no que concerne à odisseia marítima que constituiu, ao longo de tempos imemoriais, a pesca do bacalhau. À semelhança do que acontece na nossa terra, rara é a família da Fuseta que não tem na sua árvore genealógica alguém que viveu e sofreu as agruras do que foi a pesca de bacalhau de antanho e isso, ao longo dos tempos, uniu ilhavenses e fusetenses, já que, irmanados nos mesmos ideais, tiveram um papel preponderante na expansão bacalhoeira, sofrendo as vicissitudes que atingiram tantas e tantas famílias de ambas as localidades.

Destaca-se o naufrágio do lugre bacalhoeiro “Maria da Glória”, impiedosamente provocado pelos alemães no dia 5 de junho de 1942 e em que pereceram 36 dos 44 tripulantes, sendo 14 da Fuseta.

Mas, infelizmente, outras tragédias houve e isso fez com que Ílhavo e a Fuseta tivessem muitas viúvas e filhos órfãos de pai prematuramente, muitos deles sem terem tido a ventura de sentir o calor de um afago de quem os concebeu, já que muitas mães estavam grávidas quando as tragédias lhes levaram os maridos.

Estar na Fuseta é como estar um pouco na nossa terra, pois ainda hoje se fala com regularidade da pesca do bacalhau, dos benefícios que a mesma provocou no desenvolvimento económico e social da região,  juntando-se a estas recordações o cheiro da maresia emanado das águas da ria que atravessa a vila e que nos entra pelas narinas trazendo-nos à mente a ria que também nos pertence.

Foi pelo paralelismo existente entre ílhavo e a Fuseta que em 2016 lançámos nas páginas de “O Ilhavense” o repto para que fosse analisada a viabilidade de uma geminação entre si, alvitrando-se que as freguesias de São Salvador e a União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta encetassem as diligências julgadas por pertinentes para avançarem com tal propósito.

Em agosto de 2017 João Campolargo, presidente da Junta de Freguesia de São Salvador deslocou-se à Fuseta e reuniu com o seu homólogo, Manuel Carlos de Sousa, visando auscultar a sua opinião sobre a eventual geminação. Nesta data foi também apresentado o livro “O Naufrágio do lugre motor bacalhoeiro “Maria da Glória” da autoria de Licínio Amador, sendo tal evento realizado na Biblioteca da Junta de Freguesia local com bastante assistência.

Fernando Marques da Silva

Leia o artigo completo na edição em papel.

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