Leituras em tempo de guerra

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Sendo o Feriado Municipal o dia onde, por excelência, devemos refletir sobre a nossa condição de cidadãos e membros de uma comunidade, queria partilhar com os nossos leitores alguns excertos da obra “O Ocidente e o Resto”, de Roger Scruton, onde este importante pensador do nosso tempo, recentemente falecido, nos fala precisamente sobre o exercício da cidadania e aquilo que nos une enquanto membros de uma comunidade. 

“…o estado moderno é uma sociedade de estranhos, ligados uns aos outros, não tanto por rivalidades e afetos mútuos, como por um sentimento de viagem comum pelo oceano do destino. As nossas vidas são imensamente condicionadas pelos atos de pessoas que não conhecemos; aceitamos que assim seja, em parte devido às vantagens constantes que isso representa, mas, acima de tudo, por reconhecermos a obediência comum que permite a união de dois estranhos no interior de uma rede de entreajuda. 

(…) O bom cidadão aceita que tem obrigações para com pessoas que não conhece nem poderá jamais conhecer. (…).”

Roger Scruton fala-nos ainda sobre o compromisso que nos une enquanto comunidade de cidadãos:

“As lealdades consolidam-se através das três virtudes primordiais do cidadão: o cumprimento da lei, o sacrifício em tempo de guerra e o sentido público em tempo de paz.

Dar a vida por um amigo é difícil e fazê-lo por um desconhecido é muito mais difícil. Mas sem a capacidade de entregar a vida pelo bem comum, uma sociedade de estranhos não pode sobreviver.” 

“O sentido público é porventura a vertente mais mal compreendida da cidadania e a mais importante de todas…O indivíduo, animado pelo sentido público consagra tempo, energia e recursos ao bem-estar de outros indivíduos que não conhece, e esforça-se deste modo por perpetuar a ordem social de que usufrui. 

(…) É o primeiro a chegar ao local da catástrofe e é quem transforma a indignidade pela sorte de outra pessoa numa campanha para a socorrer.

(…) Em suma, o cidadão partilha a sua pertença com pessoas que não conhece, aos quais se encontra ligado por uma cadeia de direitos e deveres idênticos…Os cidadãos encontram-se vinculados a uma comunidade temporal concreta; a obediência à lei significa neste caso obediência à lei da comunidade a que pertencem; é esta a comunidade que defendem na guerra e constroem na paz, graças à sua dedicação ao coletivo e ao seu sentido público!”

Numa situação particularmente difícil e desafiante como a que atravessamos, o tempo é de sermos todos heróis e, mais do que nunca, estarmos à altura da nossa condição plena de… Cidadãos.

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