A última sessão da Assembleia Municipal de Ílhavo (AMI), realizada na passada sexta-feira, ficou marcada por um momento caricato na abertura da transmissão online, com origem num microfone aberto, na mesa da vereação, onde se encontravam o Presidente da Câmara Municipal, João Campolargo, e o Vice-Presidente, João Diogo Semedo, entre outros. No registo pode-se ouvir uma conversa em que se ouvem insultos e calão, tendo o Presidente da Mesa da AMI, Paulo Pinto Santos, alegadamente sido um dos visados, na expressão “palhaço”.
A Mesa da AMI manifestou «a sua mais profunda indignação, repúdio e vergonha pelas declarações injuriosas, difamatórias, ofensivas e inaceitáveis proferidas pelo Presidente da Câmara Municipal, João Campolargo, e pelo Vice-Presidente, João Semedo», em comunicado, explicando que «as palavras captadas revelam, de forma clara e inequívoca, um total desrespeito pelo papel da Assembleia Municipal, pelos seus membros democraticamente eleitos e consequentemente, pela vontade popular que estes representam». «Não se tratou de um lapso isolado, nem de um comentário infeliz, na verdade configurou um ataque consciente, injurioso, e deliberadamente ofensivo, dirigido à honra e à legitimidade de um órgão soberano do poder local», refere o comunicado, considerando igualmente grave «o comportamento subsequente: elementos do movimento político que sustenta o atual executivo municipal tentaram, de forma absolutamente condenável e eticamente reprovável, pressionar os técnicos responsáveis pela gravação e transmissão da reunião no sentido de eliminar essa parte do registo». «Esta tentativa de apagar a verdade revela um comportamento que deve alarmar qualquer democrata — um padrão de censura, de manipulação da informação e de falta de transparência absolutamente incompatível com a vida pública num Estado de Direito», explica.
O comunicado reforça que «o que se ouviu e o que se tentou ocultar foi vergonhoso e criminoso do ponto de vista jurídico, moral e institucional. E o que não pode acontecer é o silêncio cúmplice de quem deve, em primeiro lugar, respeito à democracia, à cidadania e às instituições», exigindo um pedido de desculpas formal e público a João Campolargo e a João Diogo Semedo.
O movimento independente de cidadãos, Unir para Fazer (UpF), liderado pelo Presidente da Câmara, João Campolargo, respondeu ao comunicado da Mesa da AMI, expressando «o seu mais profundo repúdio pelos termos e conteúdo do referido comunicado», considerando que a Mesa da AMI está a construir uma narrativa «relativamente a alegadas declarações proferidas no início da última Sessão Ordinária». «O que foi captado em áudio, de forma parcial, descontextualizada e sem qualquer suporte visual, não permite, em momento algum, atribuir com clareza autoria, destinatário ou intenção às palavras em causa», refere o comunicado do UpF, considerando «grave e preocupante» o comunicado «com linguagem excessiva, juízos de valor e acusações sérias sem qualquer tentativa de diálogo prévio», o que «revela falta de maturidade institucional e prejudica a imagem do Município».
O Unir para Fazer levanta ainda dúvidas sobre a legitimidade representativa do comunicado da Mesa da AMI, já que o mesmo «foi produzido e emitido sem consulta prévia aos restantes membros da Assembleia», lembrando ainda que o Presidente da AMI dispõe de uma comissão permanente (conferência de líderes), mas «não coordenou com a mesma o que quer que seja, assumindo uma posição coletiva sem ter a concordância ou pelo menos o conhecimento das restantes forças políticas».
O movimento de cidadãos independentes recusa ainda as acusações de atos de censura ou manipulação. «Os serviços técnicos atuaram com profissionalismo e independência, e as insinuações feitas são injustas, irresponsáveis e exigem fundamentação».
Apesar de tudo, o Unir para Fazer lamenta «a ocorrência de expressões menos felizes, independentemente de quem as proferiu», «pedindo desde já desculpas àqueles que, de alguma forma, se poderão ter sentido ofendidos», considerando que este comunicado da Mesa da AMI, liderada por Paulo Pinto Santos, é «uma manobra de diversão» para tentar ocultar «a sua incapacidade de gerir o funcionamento da Assembleia e de conduzir os trabalhos demonstrando impreparação, desrespeito pelo regimento e desconhecimento das suas funções».










