Coreias e Arábia Saudita

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Estes dias deu-se um aperto de mão histórico, entre os dois líderes coreanos, mesmo sobre a famosa linha do paralelo 36, que separa as duas Coreias. Um sinal de esperança num dos sítios do Mundo com maior tensão e, há mais tempo – a guerra da Coreia nunca terminou, apenas foi assinado um cessar-fogo em… 1953. Ou seja, existe um “intervalo” na guerra que, espera-se, venha a resultar em paz definitiva.

Espera-se! Há mais de 60 anos!

Mas ao ver um líder de um país tão criticado, a Coreia do Norte, com uma imagem de pessoal tão alucinado que até se referia uma lista dos penteados que as pessoas podiam utilizar, um país tão pobre que não se entende como gasta (tanto) dinheiro em armamento, em desenvolvimento de armas nucleares, ficamos com algumas perguntas. Uma, óbvia. Porquê?
Pois, porquê? Porque raio esta gente se tornou tão alucinada? São todos coreanos, os do norte e os do sul, mas parecem tão diferentes. Os do sul, desenvolvidos, os do norte, subdesenvolvidos, fechados, como se vivessem num mundo só deles. Um país uno que foi dividido sem se ter em conta a vontade das pessoas, dos coreanos – a divisão foi feita após o final da segunda Guerra Mundial, ao se terminar a ocupação japonesa, entre os aliados vencedores e, sem qualquer pedido de opinião, que fosse, aos coreanos. “Metade para ti e metade para mim, ‘tá tudo? O pessoal de lá? Sei lá, deixa-os estar, nem entendo o que eles dizem.” Deve ter sido assim a conversa entre americanos e soviéticos. Claro que daí a quem lá vivia querer unificar aquilo tudo, quer os do sul quer os do norte, foi um ápice.

Aqui ainda não se entende nada, mas se pensarmos no que foi aquela guerra, podemos entender um pouco melhor a pancada daquela rapaziada. Foram deitadas mais bombas na Coreia do Norte do que em toda a Segunda Guerra Mundial, em todo o Pacífico (pior ainda só no Vietname, onde foram deitadas mais bombas que em toda a Segunda Guerra, Europa e Pacífico juntos); ou seja, aquele país foi dizimado. Morreram, naqueles 2 ou 3 anos, naquele pedaço de terra, quatro Milhões de pessoas, na maioria civis. Pois, aquelas bombas não eram deitadas sobre o mar, de certeza… E depois de terem o país devastado tiveram todo o Mundo não comunista a proibir qualquer tipo de relação, económica, cultural, com a Coreia do Norte.

Pois, se depois de bater ainda não se deixa que se tratem as feridas, espera-se bom feitio?

Mas ok, não são um exemplo de democracia ou de defesa dos Direitos Humanos. O que leva a outra pergunta. São os únicos? Aqui é que há coisas que um homem comum não consegue acompanhar. As pessoas que mataram o Saddam e o Kadafi são as mesmas que antes lhes vendiam armas. Mas pronto, se calhar foi tudo com boa intenção.
E a Arábia Saudita? Pois! Para já este país tem o nome de uma família (Ibn Saud – o fundador). Ou seja, era como se o nosso país se chama-se República Oliveirista, Silvista ou qualquer coisa assim – alguém conhece mais algum caso assim na história Mundial? Pode haver, mas não salta à memória.

Mais, na Coreia do Norte havia a tal lista de penteados, na Arábia Saudita as mulheres nem o cabelo podem mostrar. Aliás, nem podem sequer andar na rua sem um homem ao lado. Naquele país, que não reconhece a Carta Universal dos Direitos do Homem, foram, em 2014, executadas mais pessoas que, nesse ano, pelo Estado Islâmico! Apedrejam até à morte e chicoteiam pessoas condenadas por coisas tão graves como fazer perguntas. Ora este país é o principal aliado dos europeus e americanos no Médio Oriente. Fizeram no ano passado um dos maiores negócios de compra de armas da História. Um homem comum fica confuso. Afinal se formos ricos podemos ser uns filhos da mãe do pior?

A Coreia do Norte é como um menino pobre, mas mimado, esquisito, mas há meninos bem piores por aí espalhados, na brincadeira no nosso quintal, mas a esses não fica nada mal, podem bater em toda a gente porque o fazem em roupa muito cara! Como na anedota em que um aluno saudita em Paris se queixa ao pai que vai de carrão e os colegas de comboio e o pai lhe diz que não seja por isso, que lhe compra um comboio.
Por isso, que este aperto de mão sirva, não apenas para os principais beneficiários, os coreanos, mas também para todos percebermos que toda a fronteira tem dois lados!

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