Boccia reuniu mais de oitenta praticantes na Gafanha da Encarnação

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AFONSO RÉ LAU

Oitenta e um seniores dos concelhos de Ílhavo, Anadia, Soure, Coimbra, Ansião e Alvaiázere jogaram, no dia 4 de dezembro, no Pavilhão Municipal da Gafanha da Encarnação, a eliminatória regional do Campeonato Nacional de Boccia Sénior Individual 2019/2020. Os participantes vieram de lares, centros de dia, associações recreativas, instituições sociais, universidades seniores e, como foi o caso da equipa ilhavense, de projetos municipais de dinamização da maioridade.

Este Campeonato Nacional, organizado pela PCAND – Paralisia Cerebral Associação Nacional de Desporto – e pela Câmara Municipal de Ílhavo, discute-se por eliminatórias regionais, com zonas dinâmicas programadas a cada competição de acordo com o número de atletas ou equipas participantes. Na Gafanha da Encarnação, competiu-se para apurar os melhores da zona Centro (correspondente aos distritos de Aveiro, Coimbra e Leiria).

Luís Ferreira, selecionador nacional de boccia para atletas com paralisia cerebral e um dos introdutores da modalidade em Portugal, acompanhou atentamente esta competição. A nível nacional, conta Luís, “o número de atletas que praticam boccia com regularidade deve estar prestes a chegar aos mil, sendo que os que o fazem só por recriação são muitos mais”. Se a disseminação da modalidade começou pelas pessoas com paralisia cerebral, nos anos de 1980 e 1990, notou-se um crescimento considerável a partir do momento em que começou a ser jogada pelos mais velhos.

Esta época, “a fim de equilibrar o nível de jogo e competitividade entre jogadores” foram constituídas duas ligas. José Monteiro e Manuel Coelho, ambos da Casa do Povo de Abrunheira (Coimbra) ficaram, respetivamente, em primeiro e terceiro lugares da 1ª liga, cujo pódio ficou completo com Adelino Moreira, da Universidade Sénior do Rotary Club de Ansião, segundo classificado. Ilda Teixeira é atleta desta mesma instituição. A sénior, que começou a praticar boccia “há cerca de um ano”, treina, “no mínimo, uma vez por semana” e não tem vergonha de admitir que o mais gosta “é de ganhar”. Nem de propósito, foi dela a vitória da 2ª liga. Em segundo lugar ficou Maria Elisabete de Oliveira, do Grupo de Boccia de Avelãs do Caminho e, em terceiro, António Freire Diogo, uma vez mais, da Universidade Sénior do Rotary Club de Ansião.

Boccia?

O boccia tem semelhanças com o francês pétanque e com o jogo da malha português, mas, ao contrário destes, é jogado em recinto fechado. O boccia pode ser jogado em “um-contra-um” ou em equipas de três jogadores, sempre num campo de 11,5 metros de comprimento por 6 metros de largura, convenientemente dividido, e com recurso a treze bolas: seis vermelhas, seis azuis e uma branca – o jack ou bola-alvo. O objetivo é aproximar da bola branca o maior número de bolas da sua cor (vermelho ou azul).

O boccia foi originalmente concebido para ser jogado por pessoas com paralisia cerebral, mas tornou-se tão popular que, hoje em dia, é modalidade paralímpica também para atletas em cadeira de rodas e, com as devidas alterações, é ainda praticado por pessoas sem qualquer deficiência.

Desenvolvimento físico, intelectual e social

A prática do boccia fomenta o desenvolvimento físico e, nas camadas mais velhas, ajuda a retardar a perda de capacidades motoras: “O boccia implica o treino da força e da pontaria dos lançamentos, bem como da coordenação motora”. Luís Ferreira recorda vários idosos que lhe terão confessado que o boccia “foi das melhores coisas que lhes aconteceu porque deixaram de ter dores”. No entanto, esta é uma modalidade tática e que, por isso mesmo, também contribui para o desenvolvimento intelectual: “O jogador aprende a interpretar os vários momentos do jogo para saber, a cada altura, se é mais vantajoso jogar para aproximar uma bola sua da bola branca ou, por outro lado, para tentar afastar do alvo uma bola do adversário. É preciso estratégia”. Por fim, o selecionador nacional de atletas com paralisia cerebral lembra que o boccia ajuda ainda ao desenvolvimento social dos praticantes: “É a desculpa ideal para os seniores conviverem uns com os outros, para saírem dos seus meios e conhecerem outras pessoas, outros locais”.

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