Karaté do Sporting Clube da Vista Alegre, uma fábrica de valores

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O cheiro a tinta e algum pó ainda pairavam no ar. Sempre que se muda de casa, a confusão da mudança é assim mesmo. E foi na nova casa do Sporting Clube da Vista Alegre que O ILHAVENSE encontrou Catarina Santos, uma das três sensei do clube ilhavense (as outras são Cecília Isidoro e Daniela Antunes).

Mais do que sensei – ou mestre de karaté – Catarina gere toda a secção desta modalidade no Vista Alegre. Desde a página no Facebook, às aulas, passando pela organização de viagens e participação em torneios. É com um brilho nos olhos que Catarina fala de karaté: “Sou suspeita, mas é dos melhores desportos do mundo, é muito abrangente e completo e, para além dos princípios da arte marcial, trabalha valores para a vida”.

São cerca de 50 atletas que, semanalmente, pisam o dojo, ou tapete, do clube. “Desde os três anos de idade, até aos seniores. Dos três aos quatro, temos uma turma muito específica, que é o ‘Baby Karaté’, um projeto que começou na época passada e tem funcionado muito bem”. O Baby Karaté treina ao sábado de manhã, dura 45 minutos e o objetivo é introduzir as crianças aos princípios básicos da modalidade. “Naquelas idades é muito difícil ensinar técnica, mas trabalhamos a parte física como a coordenação, o equilíbrio e a flexibilidade, para depois fazer a transição para o karaté”. É, também, uma forma de “incutir o gosto pela modalidade”, assegura a sensei.

Catarina tem constatado que, depois de passarem pelo Baby Karaté, “é muito mais fácil trabalhar com eles” nos escalões seguintes.

No Vista Alegre treinam escalões de formação e pré competição – infantis, iniciados e juvenis – e, para os atletas mais velhos, há treinos específicos de komitte e katá. Palavras estranhas para quem não está dentro do mundo karateca, mas nada como a explicação de quem sabe: “No katá, não há combate. Ou melhor, é um combate imaginário, já pré-definido, feito individualmente. Onde são avaliadas as componentes técnica e física. No komitte, existe um combate, onde os atletas são pontuados pelos golpes que infligem nos adversários”.

Golpes? Isso não é violento? – questionamos. “A filosofia do Karaté é respeitar o adversário. Não passa pela cabeça de um atleta magoar o seu oponente. Também existem regras muito específicas. Por exemplo, nos escalões mais baixos não é permitido haver toques na cara. Nos seniores, é permitido o contacto à cara – cabeça e pescoço, não à garganta – se este for leve e controlado. Mas se o árbitro entender que houve exagero, o atleta é penalizado”.

Já agora, qual a melhor idade para se começar a praticar karaté? “A partir dos 3”, diz, sorrindo. “Por isso é que criámos o Baby Karaté. Mas qualquer idade é boa para começar. O importante é praticar”.

No final dos anos, geralmente, é altura de se fazer o balanço dos últimos 365 dias. Para Catarina Santos, o ano de 2019 correu muito bem, com vários pódios e bons resultados, no entanto, “por muito bem que tenha corrido, queremos sempre mais e melhor. É para isso que treinamos! Assim, queremos e vamos trabalhar para que 2020 traga ainda mais sucessos e prémios. É sinal que o que fazemos dá frutos!”.

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