Jacintos-de-água voltaram a invadir a Ria da Costa Nova ao Jardim Oudinot

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Marina do Jardim Oudinot, na Gafanha da Nazaré, a 22 de dezembro de 2019. // AFONSO RÉ LAU

À semelhança do que tinha acontecido pela mesma altura, pelo menos, nos dois anos anteriores, na segunda quinzena de dezembro de 2019, o canal de Mira da Ria de Aveiro foi “invadido” por grandes quantidades de jacintos-de-água. Provenientes da Barrinha de Mira, estas plantas chegaram à zona da Costa Nova onde formaram grandes ilhas flutuantes e se acumularam nas margens; na marina do Jardim Oudinot, o cenário é o que se pode ver nas imagens. Num curto espaço de tempo, já há pescadores a queixarem-se que os jacintos-de-água dificultam a navegação das embarcações e prejudicam algumas artes de pesca; para além disso, a espécie funciona como fator de desincentivo ao acesso à água e à prática de atividades de recreio ou desporto náutico; têm, ainda, impactos negativos em termos paisagísticos.

Se, por um lado, é verdade que estas “invasões” de fim de ano têm constituído eventos passageiros, as plantas trazem consequências nocivas para a Ria e devem, por isso, ser alvo de preocupação e ações que visem garantir que as águas continuam limpas, saudáveis e acessíveis.

No dia 11 de dezembro, o Bloco de Esquerda entregou, na Assembleia da República, um projeto de resolução que recomendava “a criação de um plano nacional de controlo da espécie invasora jacinto-de-água”. A proposta partiu de dois deputados bloquistas eleitos por Aveiro – Moisés Ferreira e Nelson Peralta – depois de terem visitado a Pateira de Fermentelos e verificado o estado em que aquela que é a maior lagoa natural da península ibérica se encontra.

A definição de “áreas de intervenção prioritária, nomeadamente por motivos de conservação da natureza e por áreas onde os jacintos-de-água colocam em risco a integridade do ecossistema”, a criação de “uma campanha de sensibilização para difundir o carácter invasor da espécie, os riscos que apresenta para os ecossistemas e para a necessidade de não a reproduzir ou utilizar como planta ornamental” e ainda a “aquisição de maquinaria adaptada para o controlo e remoção da espécie de massas de água”, constituíam a proposta bloquista.

Rapidamente, João Pinho de Almeida, deputado do CDS, e Bruno Coimbra, deputado do PSD, ambos eleitos pelos respetivos círculos eleitorais de Aveiro, juntaram-se as suas vozes às que que defendem intervenções urgentes para a contenção e remoção dos jacintos-de-água dos cursos de água afetados.

A proposta do BE foi aprovada pelo Parlamento. Aguarda-se, agora, a criação do plano nacional de controlo desta espécie, assim como as suas consequências práticas.

Uma invasora com efeitos devastadores

O jacinto-de-água é uma planta aquática flutuante que se desenvolve e multiplica muito rapidamente. Em Portugal, tal como em muitas outras zonas do planeta, é uma planta invasora. Foi introduzida há cerca de 90 anos, proveniente do Brasil, como planta ornamental para decorar lagos. Na europa não há predadores naturais para esta espécie.

Quando não é controlado, o jacinto-de-água pode cobrir totalmente lagos e rios de águas lentas mudando drasticamente o fluxo de água e bloqueando a luz do sol. Isto leva ao desaparecimento de flora e fauna autóctone que se vê privada de oxigénio e de alimento. A espécie limita ainda as trocas gasosas entre a água e o ar. Por ser uma planta de água doce, ao entrar em contacto com a água da Ria, o gradiente salgado faz com que acabe por morrer. No entanto, aos poucos, a espécie pode estar a desenvolver maior resistência a água salgada, aumentando o seu período de vida neste meio.

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