Marchas estão de regresso depois de um ano de interregno

A 26 e 27 de junho volta a marchar-se na Gafanha da Nazaré e em Ílhavo. Atuação nas praias não vai realizar-se, mas essa é apenas uma das novidades da edição de 2020 das (agora) “Marchas Populares”.

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Um ano depois, a dificuldade em mobilizar o tecido associativo do Município de Ílhavo para a participação nas Marchas Sanjoaninas mantém-se. Fátima Teles, vereadora da Câmara Municipal com os pelouros do associativismo e dos eventos, terá contactado dez associações, mas só três se comprometeram a construir, ensaiar e apresentar uma marcha. Ainda assim, já é certo que 2020 marcará o regresso desta iniciativa e a vereadora assume-se “otimista”, acreditando “[as associações participantes] estão motivadas para fazer um bom trabalho” e assegurar “dois bons momentos”. 

Na edição de 2020, participarão nas Marchas o Grupo de Jovens “A Tulha”, o Grupo de Dança “As Pestinhas”, da Gafanha da Nazaré, e os Amigos da Malha, da Carvalheira. Ao abrigo das novas normas de participação, a organização ainda está a tentar encontrar uma marcha convidada, mas, admite, “não está a ser nada fácil”.  

Um ano para reflexão e reestruturação

No passado dia 5 de março, a Câmara Municipal votou o novo regulamento de participação nas Marchas Populares. As novidades face ao documento anterior prendem-se, essencialmente, com estes pontos: o número de pares de marchantes diminui de 24 para 16 e o género dos figurantes deve ser respeitado (“para que não tenha de haver mulheres a vestir-se de homem”); as associações passam a receber um apoio financeiro de 4 mil euros (menos mil que anteriormente), mas a autarquia fica responsável pela contratação dos músicos para todas as marchas; a primeira tranche do apoio financeiro é transferida mais cedo (logo em março) e passa a existir a possibilidade de haver uma marcha convidada, não sujeita a concurso. Estas alterações, garante Fátima Teles, vão ao encontro das reivindicações das associações, resultam de um trabalho concertado com os seus dirigentes e servem “para lhes facilitar a vida”.

Na mesma reunião de Câmara, Eduardo Conde lembrou que, em 2019, o presidente da câmara afirmava que “quando só houvesse três marchas, acabava o evento”. Fernando Caçoilo confirma, alegando, no entanto, que o disse como forma de incentivo e que, hoje, tendo em conta as dificuldades vigentes, há “necessidade de proceder a ajustes”. 

Recorde-se que quando, em abril do ano passado, a Câmara Municipal optou pela não-realização das Marchas Sanjoaninas, fê-lo, como ainda pode ler-se no comunicado divulgado nesse contexto, por acreditar que “um período de reflexão e de reestruturação do conceito da iniciativa” permitiria “novas abordagens” com vista à valorização e dinamização do evento, bem como a uma maior e mais comprometida participação por parte das associações. 

Para Eduardo Conde, este ano de suspensão “foi tempo perdido” já que “não houve capacidade para recriar o evento e mobilizar as associações”. O resultado? Um “modelo substancialmente empobrecido relativamente ao anterior”, na opinião do vereador eleito pelo Partido Socialista. 

Apresentações: poucas e tardias?

A edição de 2020 das Marchas está marcada para o dia 26 de junho, na Gafanha da Nazaré, e, logo a seguir, a 27, em Ílhavo. Poucas apresentações, no entender de Helena Semião, do Grupo de Dança “As Pestinhas”, da Gafanha da Nazaré. “Tantos meses a trabalhar só para duas atuações tira o entusiasmo a qualquer um”, lamenta a dirigente associativa. A habitual apresentação nas praias, que alternava entre a Costa Nova e a Praia da Barra, este ano, não vai realizar-se.

“As datas tardias, posteriores ao timing de São João, destroem tanto o conceito sanjoanino que o evento – que sempre se conheceu como Marchas Sanjoaninas – passa, agora, a chamar-se ‘Marchas Populares’”, diz Eduardo Conde. Na opinião do autarca, estas datas, associadas à obrigatoriedade, com a qual concorda, de a primeira apresentação pública ter lugar no concelho de Ílhavo, “inviabiliza qualquer apresentação das marchas ilhavenses noutros eventos populares ou até noutros municípios”. O mesmo reforça Helena Semião: “Nós costumamos ser convidados para apresentar a nossa marcha noutras localidades, mas este ano, como as apresentações em Ílhavo são só no final do mês, já não poderemos ir a lado nenhum”. 

Novas datas e nova designação do evento são questões que o executivo desvaloriza. Fátima Teles explica a opção por estas datas com o calendário de feriados e eventos municipais, especialmente, tendo em consideração que o festival Rádio Faneca está marcado para o fim-de-semana de 19 a 21 de junho; Marcos Ré acusa o PS de “semântica e demagogia” e Fernando Caçoilo remata, afirmando que “estas foram as datas acordadas com as associações participantes e, independentemente do nome, o espírito é o mesmo”.


Atualizado a 23 de março de 2020:

Após contactos com as associações participantes, a Câmara Municipal de Ílhavo decidiu cancelar as Marchas Populares previstas para junho. “Apesar do esforço de todos, a conjuntura atual e as medidas de mitigação do surto pandémico Covid-19, nomeadamente a necessidade de isolamento social, impedem a preparação e os ensaios necessários para a realização do evento”, informa a autarquia

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