Para a assinalar o 51.º Aniversário da Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974, a Assembleia Municipal reuniu em Sessão Extraordinária Evocativa.
Imediatamente abaixo, O Ilhavense, em parceria com a Assembleia Municipal de Ílhavo, publica os discursos proferidos nessa sessão.
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Por Paulo Pinto Santos, Presidente da Assembleia Municipal de Ílhavo
Hoje, o tempo convida-nos a parar.
A escutar mais do que o som da cerimónia – a escutar o eco de uma memória que não é apenas história, mas raiz, fundação e compromisso.
Comemoramos o 25 de Abril.
Fazemo-lo com emoção, com gratidão, e com a certeza de que esta data é muito mais do que uma celebração: é um dever renovado perante a Liberdade.
Há 51 anos, Portugal acordou para si mesmo.
Acordou para o direito de existir com dignidade, para a pluralidade de ideias, para a força da participação, para a beleza de poder escolher e construir o seu próprio caminho. Abril foi o romper de um silêncio. Foi o levantar de um povo. Foi – e continua a ser – a luz que nos guia na incerteza dos tempos.
Foi com esse espírito que, em 2023, esta Assembleia Municipal decidiu retomar, com firmeza e sentido de
responsabilidade democrática, a realização desta sessão solene, como forma de homenagear o passado, de dignificar o presente e de lançar sementes para o futuro.
Que este momento se perpetue.
Que nunca mais deixemos de nos juntar para afirmar, com palavras e com atos, que Abril vive onde a Liberdade for celebrada, cuidada e exercida com coragem.
E se a Revolução nos devolveu a voz, cabe-nos agora usá-la com sabedoria. Cabe-nos cultivar uma democracia viva, próxima, exigente – como só pode ser uma democracia que nasceu do povo e para o povo.
Enquanto Presidente da Assembleia Municipal, sublinho o valor inestimável do poder local como o mais humano dos rostos da Democracia. Aqui, nos municípios e nas freguesias, o diálogo é direto, as decisões são sentidas, e os cidadãos não são apenas números – são nomes, são histórias, são vizinhos. É neste chão que a política tem de provar o seu valor.
Mas hoje quero dirigir-me, em particular, àqueles que carregam nas mãos o tempo que ainda não foi escrito: os nossos jovens.
Vós, que nascestes livres – e por isso, tantas vezes, sem consciência do preço da liberdade.
Vós, que não ouviste a voz da censura, mas ouvis a gritaria do mundo moderno, tantas vezes confusa, tantas vezes desorientada.
Vós, que tendes o direito ao futuro, mas também o dever de o construir.
O 25 de Abril foi-vos entregue como herança – mas o que dele fizerdes será, sim, obra vossa. Não temais transformar, questionar, inovar.
Abril não é um dogma: é um impulso. É um ponto de partida. É uma fonte que nunca deve secar.
A juventude não está apenas convocada para recordar Abril – está chamada a reinventá-lo, a dar-lhe nova vida, novos sentidos, novas formas de participação.
Se os tempos mudam, que mude também a forma de defender a liberdade – sem nunca esquecer os seus alicerces: o respeito, a justiça, a dignidade humana.
Caros jovens do nosso município: os vossos sonhos, as vossas causas, os vossos projetos são o novo rosto da Democracia.
O 25 de Abril será tão forte quanto for o vosso envolvimento. Não vos peço reverência. Peço-vos ação. Porque a Democracia não precisa apenas de celebração – precisa de continuidade, de renovação, de coragem.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
o mundo está diferente. As ameaças à Democracia já não se fazem, apenas, por tanques e censores – fazem-se pelo cansaço, pela desinformação, pelo populismo fácil, pela desilusão instalada. Mas é também por isso que Abril é hoje tão necessário. Porque nos lembra que a Liberdade nunca é um dado adquirido – é uma conquista que precisa de ser defendida e nutrida todos os dias.
E é esse o legado que queremos deixar – enquanto Assembleia Municipal, enquanto cidadãos, enquanto
comunidade que acredita no bem comum: um compromisso de não deixar a memória adormecer, nem a Liberdade esfriar.
Celebrar Abril é acreditar que o futuro se constrói com mais participação, mais diálogo, mais proximidade. Que as decisões públicas devem ser feitas com verdade e com sentido de missão. Que nenhum cidadão deve sentir-se esquecido. Que cada voz tem lugar.
E é por isso que estaremos aqui, ano após ano, a reafirmar essa promessa. Que esta sessão solene, iniciada com sentido institucional em 2023, seja a primeira de muitas. Que este seja um gesto que perdure, como símbolo da Democracia viva que queremos preservar e fortalecer.
Viva o 25 de Abril.
Viva a Liberdade.
Viva a Juventude que há-de continuar Abril.
Viva a Democracia.
Viva o nosso Concelho e todos os que o constroem, dia após dia, com esperança e com coragem.
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Por João Campolargo, Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo
Caros Munícipes e Jovens autarcas,
aproveito felicitar os nossos idosos, do programa “Maiores a Criar”, pela oferta de 10 alfinetes de peito que marcam esta sessão evocativa, entregues ao executivo e à Mesa da Assembleia Municipal.
Parabéns a todos os que fomentam a música no Município de forma privada ou associativa, pois a cultura é uma expressão Livre de liberdade. Aproveito parabeniza as famílias que apoiam todos os jovens à participação nas diferentes ofertas formativas existentes no município.
Às diretoras dos Agrupamentos, Ana Caiado, Conceição Canhoto e Eugénia Pinheiro, quero agradecer todas as referências e projetos feitos nos agrupamentos que enquadraram os alunos nas memórias de abril, falam de abril, validam para futuro a importância do 25 de abril de 1974 no país.
Há 51 anos a história do nosso País mudou, porque o 25 de Abril trouxe a liberdade de expressão, a democratização da Educação e do Ensino Superior, o Serviço Nacional de Saúde, e o acesso ao emprego, com a igualdade de oportunidades na escolha da profissão.
Abril é sinónimo de liberdade e democracia, e não podemos falar de democracia sem evocar a agradecer a todos os Presidentes da Câmara Municipal de Ílhavo e todos os Presidentes das Juntas de Freguesia do nosso Município, e respetivas Assembleias e trabalhadores, que trabalharam ao serviço do Município de Ílhavo nos últimos 51 anos.
A todos o nosso agradecimento!
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
hoje celebramos a herança de sermos cidadãos livres para ser, falar, pensar, agir, estudar, trabalhar, viajar e votar.
Olhamos para esta Liberdade herdada com uma enorme responsabilidade, por isso, em outubro de 2021, quando iniciámos a governação do Município de Ílhavo, assumimos o compromisso de valorizar a democracia e aumentar a coesão social.
Desde o primeiro dia ambicionamos uma governação orientada pela transparência e proximidade, deslocalizando as reuniões de câmara públicas para as Juntas de Freguesia, aumentando a democracia participativa, através do diálogo aberto com a população e do seu envolvimento ativo na tomada de decisões.
Em três anos e meio de governação, lançámos os três primeiros Orçamentos Participativos do Município de Ílhavo, envolvendo ativamente todos os setores da sociedade nas decisões de investimento do Município, construindo um processo colaborativo, capaz de atender às necessidades e aspirações locais Mobilizámos escolas, associações de pais, associações recreativas, culturais e desportivas e pessoas individuais a participarem em mais projetos para e do município.
Com o foco nas pessoas, temos investido em áreas cruciais para a coesão social, procurando uma igualdade de oportunidades de progresso, bem-estar e felicidade.
Estamos a requalificar as escolas e a criar uma nova creche; estamos a ampliar os centros de saúde; estamos a colocar o saneamento na fasquia dos 100% de cobertura, temos hoje três espaços dedicados ao envelhecimento em pleno funcionamento com um programa específico para os maiores de idade; aumentámos o apoio ao associativismo e às juntas de freguesia; promovemos a economia local, valorizando as nossas tradições e o trabalho das gerações que nos antecederam, criando a Festa do Pão de Vale de Ílhavo, o Festival Gastronómico “Vamos aos Cricos”, entre outras iniciativas.
Hoje, temos uma Cultura mais identitária e inclusiva, com mais artistas locais e respostas para surdos e cegos ou amblíopes.
Criámos uma “Cultura + Nossa”, investindo em projetos de comunidade, como o Coro da Madrugada, a Orquestra do Mar, o Coro da Memória, a Companhia Jovem de Dança, Margaridas Cravos e Outras Primaveras e Dóri, em Crochet.
Hoje somos uma comunidade que vive uma verdadeira aliança de gerações, apresentando-se mais coesa, mais forte e mais solidária. Recebemos novos cidadãos e novas comunidades com os braços bem abertos, iguais direitos e deveres para todos.
Todos diferentes, todos iguais.
Meus Senhores e Minhas Senhoras,
esta comunidade e este território estão a cumprir Abril!
Cumprimos Abril quando a Educação, a Saúde, a Habitação e o Espaço Público representam os nossos maiores investimentos.
Como sabem, este ano, o Município de Ílhavo irá investir 42 milhões de euros em obras de que vão mudar a face do nosso Município nos domínios da Educação, Saúde, Habitação e Espaço Público.
Com visão e trabalho, humanismo e proximidade, somos o sonho e a promessa de Abril.
A todas as pessoas, agradeço a confiança e o apoio, a quem deixo certeza de continuar a sonhar e a trabalhar para um melhor futuro para todos.
Viva o 25 de Abril!
Viva a Liberdade!
Viva a Democracia!
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Por Irene Ribau, do Partido Social Democrata
Exmo Senhor Presidente da Assembleia Municipal,
Exmo Senhor Primeiro Secretário da Assembleia Municipal,
Exmos Deputados e Deputadas da Assembleia Municipal,
Exmo Senhor Presidente da Câmara Municipal,
Exmos Vereadores e Vereadoras,
Caras Diretoras dos Agrupamentos de Escolas,
Meus queridos representantes da Assembleia Municipal Jovem,
Estimados Presidentes das Juntas de Freguesia e demais autarcas,
Ilustres convidados,
Caros Munícipes aqui presentes e os que nos seguem pelas redes sociais,
em Abril de 1974, uma menina de 13 anos numa bela cidade africana, vivenciava uma transformação social sem perceber o que se estava a passar. Aquela menina, que vivia feliz, nunca tinha percebido de que muito não estaria bem e que havia muitas pessoas a sofrer por falta de liberdade. Os pais formam lhe explicando o que se estava a passar em Lisboa e o quanto era importante para a felicidade das pessoas, poderem falar livremente sem receio e sem medo de serem ouvidas. Recordo a frase que o meu pai citou na altura e que ouvia com frequência do seu pai numa distante aldeia do Sabugal – cuidado com o que se diz porque as paredes têm ouvidos.
Não é para falar de mim, que aqui estou, é para falar de nós, nós comunidade, nós município, nós país.
Nesta data comemorativa desse dia que mudou o rumo da nossa história, a minha reflexão e as minhas palavras foram inspiradas na Assembleia Municipal Jovem e nos testemunhos de muitos dos que por ela passaram. Do que ali ouvi e dos momentos que vivi com esses jovens, fiquei com a esperança de que esses, e outros como eles, serão exemplo motivador para muitos outros. Parafraseando o Lucas Fontoura, aluno da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré “o verdadeiro poder não está em impor, mas sim em inspirar… e não podemos esquecer que a democracia é um compromisso diário”. Meus queridos jovens, é importante que tenham consciência que muito mudou com abril de 74, mas que muito está por fazer e que vocês são peça chave para juntos continuarmos o trabalho em prol de futuro melhor.
Minhas senhoras e meus senhores, é fácil encher a boca com a palavra democracia. É fácil dizer que vivemos em democracia. É fácil dizer – sou livre porque vivo em democracia. Mas viver em democracia e ser livre é uma grande responsabilidade. E é uma responsabilidade tanto maior quanto maior for a nossa dedicação aos outros. As vozes que em abril de 74 ousaram romper o silêncio, deixaram-nos essa obrigação.
Por isso precisamos de
Proximidade com as pessoas
Competência nas tomadas de decisão
e Ambição para continuar a fazer mais e melhor por esta que é a nossa querida terra.
E termino com uma frase do Papa Francisco que nos deve servir de inspiração no dia a dia.
“Os rios não bebem sua própria água; as árvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo e as flores não espalham a sua fragância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza. A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa.”
Obrigada pela vossa atenção
Viva Portugal
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Por Luís Leitão, do Partido Socialista
Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Ílhavo,
Caras Deputadas e Deputados da Assembleia Municipal,
Sr. Presidente da Câmara Municipal,
Srs. Vereadores,
Estimados Presidentes de Junta de Freguesia e demais autarcas,
Ilustres convidados,
Membros da Assembleia Municipal Jovem,
Minhas senhoras e meus senhores,
assinalar o 51.º aniversário do 25 de Abril… é mais do que recordar.
É reafirmar.
Reafirmar os valores que construíram o Portugal livre e democrático que hoje conhecemos. Há 51 anos, um grupo de militares – os Capitães de Abril – guiados pelo povo, levantou-se contra o obscurantismo, o medo, e a censura.
Foi tempo de massificar a consciência…
E a importância de pensar o futuro.
Com cravos e com coragem, abriram caminho à Liberdade, à Democracia, à Justiça Social.
A Revolução dos Cravos não foi apenas um momento de rutura…
Foi um ponto de viragem.
Portugal acordou.
Começámos a escrever a nossa própria história – em liberdade.
Hoje, recordamos os 50 anos das primeiras eleições livres em Portugal.
Eleições em que 92% dos eleitores votaram.
Fica a importância do exemplo… para os dias que se aproximam.
De um país marcado por analfabetismo, pobreza e emigração forçada, avançámos para uma nação europeia, moderna, com serviços públicos que se querem de qualidade.
Saúde universal. Educação para todos.
E uma consciência cívica cada vez mais presente.
Foi graças ao 25 de Abril que conseguimos criar o Serviço Nacional de Saúde, gratuito e acessível.
Foi graças ao 25 de Abril que a educação deixou de ser um privilégio… e passou a ser um direito de todos.
Foi graças ao 25 de Abril que o pensamento deixou de ser vigiado… e passou a ser livre.
Mas… como sabemos…
Nenhuma conquista é eterna.
E os desafios de hoje são distintos, mas não menos complexos.
Portugal enfrenta:
uma crise habitacional,
uma precarização crescente do trabalho,
uma degradação dos serviços públicos,
e uma desconfiança preocupante nas instituições.
Essa desconfiança… é o terreno fértil onde cresce o populismo.
E é sobre ele que devemos falar — com clareza e sem medo.
O populismo não é novo.
Mas veste-se de formas novas.
Alimenta-se do medo, da frustração, da sensação de abandono.
Hoje, o populismo tem palco nas redes sociais – onde as “conversas de café” ganham escala. Tornam-se posts virais.
Apresenta-se como voz do povo…
Mas esconde uma agenda perigosa de simplificação, de exclusão…
E de ataque às bases da democracia.
De país de emigrantes, passámos a ser país de acolhimento.
E mesmo aqui, em Portugal…
Vemos crescer discursos que colocam portugueses contra portugueses.
Discursos que culpam os imigrantes pelos nossos problemas.
Discursos que alimentam desinformação, distorcem factos, e espalham ódio.
São os mesmos discursos que atacam a liberdade de imprensa, que desvalorizam os direitos humanos, que promovem líderes autoritários, que colocam em causa a liberdade e a inclusão.
Este fenómeno… não é só nosso.
O mundo vive uma onda populista:
Na Europa.
Nas Américas.
No Médio Oriente.
E vem sempre com as mesmas armas – Simplificação. Medo. Divisão.
Contra isto… É urgente reafirmar os valores de Abril:
Liberdade. Solidariedade. Justiça. Democracia Participativa.
Minhas senhoras, meus senhores…
É aqui que entra a importância de líderes globais. Líderes fortes, Inspiradores.
Como foi o Papa Francisco — que recentemente nos deixou.
Um homem de fé… mas acima de tudo, um homem de coragem.
Deixou-nos um legado:
Ser voz de humanidade num mundo cada vez mais polarizado.
Denunciou as desigualdades.
Defendeu os migrantes.
Falou de paz… quando tantos promovem o conflito.
Viu uma Europa a regressar ao discurso da guerra, ao fabrico de armas…
Perigando a luta contra a fome e contra a pobreza.
Lembrou-nos que a política, bem exercida, é uma forma nobre de caridade. De solidariedade. De empatia.
Um cristão deve estar… na luta pelo Bem Comum.
Falou de ecologia de forma inovadora. Colocou o ser humano no centro da defesa do planeta. Falou de uma sustentabilidade integral, onde não basta proteger a natureza…
É preciso lembrar que o homem faz parte dela.
Enfrentou os escândalos de abuso sexual.
Lutou por justiça dentro da própria Igreja.
Promoveu a inclusão de todos.
Mesmo dos que sempre se sentiram à margem.
Falou de homossexualidade com coragem.
Abriu a possibilidade de comunhão aos divorciados recasados.
Francisco ensinou-nos que ser líder é estar ao serviço.
Que ser político é construir o bem comum.
E que ser cidadão é participar activamente.
Minhas senhoras, meus senhores…
Portugal precisa desta inspiração.
Mas acima de tudo… precisa que contagie os seus jovens.
Os jovens do nosso país. Os jovens aqui presentes.
Os jovens do nosso concelho que… não são apenas o futuro. São o presente.
São os jovens que desafiam o sistema. Que exigem respostas climáticas. Que inovam, empreendem, criam.
São os jovens que podem – e devem – renovar a democracia.
Ela precisa da vossa energia, do vosso entusiasmo.
Precisamos de garantir que os jovens tenham motivos para ficar.
Ficar perto dos seus. Ficar em Portugal.
Construir aqui as suas vidas – com dignidade, com esperança, com sonhos.
E também… valorizar os que partem. Que vão para a “cidade grande”… ou para fora do país.
Mas que um dia, possam voltar trazendo consigo ideias novas, energia, e um compromisso com o país que os viu nascer.
É essencial educar para a democracia. Não apenas nas aulas de História ou Cidadania… Mas no dia a dia. Ensinar a escutar, a respeitar, a participar… E a discordar com elevação.
Os jovens devem votar.
Devem organizar-se.
Devem ocupar os espaços de decisão.
A democracia precisa de sangue novo, de ideias novas, de renovação constante.
Porque… minhas senhoras e meus senhores…
A liberdade não é um dado adquirido.
A democracia é frágil.
E a justiça social… ainda é um trabalho inacabado.
Se não defendermos Abril…
Outros virão. Com vozes doces… mas intenções amargas.
E tentarão apagar o que conquistámos.
Por isso, hoje, celebramos.
Mas também alertamos.
Hoje, devemos comprometer-nos.
Comprometemo-nos com a verdade, com a justiça, com a solidariedade.
Comprometemo-nos com um Portugal onde todos tenham lugar. Um país onde os
jovens não precisem de partir.
Uma democracia viva, participada, resistente ao populismo e à desinformação.
Porque só com todos.
Pelo povo, com o povo.
Podemos construir o país que queremos para nós e deixar aos nossos filhos.
Por Portugal inteiro.
Por um futuro livre, justo e solidário.
PELO POVO, COM O POVO.
POR PORTUGAL INTEIRO.
VIVA O 25 DE ABRIL!
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Por Fernanda Loureiro, Coordenadora do Programa Regional das dos Rastreios Oncológicos e Coordenadora do Internato Médico de Saúde Pública da Zona Centro, Delegada de Saúde em Ílhavo de 1997 a 2009
Em primeiro lugar quero agradecer ao Dr. Paulo Pinto o convite para estar aqui hoje a falar sobre o 25 de abril. Foi uma surpresa para mim, foi uma honra e, sem dúvida, um tiro no escuro do Dr. Paulo Pinto.
Quero, em seguida cumprimentar todos os presentes. É estoicismo porque é feriado e porque é sexta-feira, o que significa um fim de semana prolongado.
Relativamente à data que aqui me trouxe, o que é que eu posso dizer que não tenha já sido dito.
Quando estava pensar no que poderia dizer veio-me à memória a célebre pergunta do jornalista Baptista Bastos no programa “Conversas Secretas”: “onde é que você estava no 25 de abril”. Esta pergunta foi depois caricaturada até à exaustão pelo Herman José que, até a DEUS, fez esta pergunta. Mas a maior parte da plateia não tem nenhuma memória do que eu estou a falar.
Mas sim, lembro-me muito bem de onde estava no 25 de abril; tinha 15 anos e estava na escola.
A escola era, nessa altura, um extraordinário elevador social e eu sempre quis entrar nesse elevador. Eu entrei no elevador e só de lá saí licenciada. Eu queria andar na escola, não era estudar, era mesmo andar na escola.
Em Ílhavo quando acabávamos o ciclo preparatório (atual 6o ano) abriam-se 4 possibilidades: parar os estudos (eu não queria), continuar na escola comercial até ao atual 9º ano (não me fascinava), ir para o Colégio particular (fora de hipótese financeiramente) ou ir estudar para Aveiro, para o liceu ou para a escola Comercial e Industrial. Não havia Escolas Secundárias em Ílhavo. Havia outro fator que condicionava a continuação dos estudos, ser menina ou menino. Nas famílias remediadas, os meninos podiam estudar, para as meninas era muito mais difícil. Eu tive sorte…
Eu estudava na secção feminina do Liceu de Aveiro, onde atualmente é a Escola Secundária Homem Cristo. Estava no atual 9º ano. Era só meninas… Sim, porque a mistura com rapazes era considerada perigosa.
Adorei o 25 de abril, foi uma alegria: deixei de ter aulas ao sábado; andávamos sempre na rua em manifestações, os professores (alguns conotados com o antigo regime) faltavam muito às aulas, os alunos também! Havia muito pouco controle quer da escola quer dos pais. Que maior felicidade para uma adolescente de 15 anos.
Acabei o 9º ano e no ano seguinte fui para o Liceu Nacional de Aveiro para uma turma mista, finalmente… aos 15 anos.
Como era a vida antes do 25 de abril: éramos pobres, todos eram pobres; as condições de vida, de habitação, eram más, e mesmo os que tinham algum dinheiro não tinham onde o gastar. Só os muito ricos tinham outras oportunidades. Havia muita emigração porque o país era pobre. Ter uma calças de ganga só era acessível a quem tinha pais embarcados. Umas sapatilhas era um sonho impossível de realizar. Ir a Lisboa era uma aventura e como tínhamos lá família, íamos de vez em quando; lembro-me do meu pai ver a pressão dos pneus, ver o óleo, e da eternidade que levávamos a fazer o percurso; não havia autoestradas. Na minha casa falava-se um pouco de política, normalmente à mesa (que é onde as conversas importantes têm lugar). Tínhamos um tio (irmão da minha mãe) que tinha estado preso pela PIDE e que, quando libertado fugiu para França, ele e toda a família, e isso era tema de conversa, mas sempre com muitas recomendações para não falarmos destas conversas na rua. Era um país cinzento e com medo. Os cuidados de saúde não existiam. O meu pai, como trabalhador independente, não tinha acesso a esses (poucos serviços) serviços médico-sociais da Previdência. Tinha uma avença com um médico, o Dr. Ernesto Paiva, que nos socorria quando estávamos doentes. Se a coisa era mais grave íamos ao Hospital da Misericórdia.
O que posso dizer sobre o estado da Saúde em Portugal? Eu trabalhei 41 anos nos serviços Públicos de Saúde, assumi ao longo do meu percurso alguns cargos que me permitem ter uma ideia da evolução do estado da saúde em Portugal.
Para dar uma imagem que todos percebam vou socorrer-me de dois indicadores fundamentais: a Mortalidade Infantil e a Esperança Média de Vida.
Começando pela Mortalidade Infantil.
Em 1960, ano seguinte ao do meu nascimento, a taxa de mortalidade infantil rondava os 78‰, isto significa que, por cada mil crianças que nasciam, morriam, no primeiro ano, 78 crianças, ou seja por cada 100 crianças morriam 7 ou 8 antes de completarem um ano. No ano da adesão à União Europeia, em 1985, esta taxa era já de cerca de 18‰, mas mesmo assim era a pior da Comunidade Económica Europeia (12 estados). Nesta altura a taxa situa-se entre 1 e 2,5‰.
As gravidezes não eram vigiadas, não havia vacinas para a população, o Sarampo matava, a Poliomielite deixava as crianças estropiadas par toda a vida (tive casos de colegas na escola primária); as famílias rezavam para que não acontecesse aos seus… e pouco mais podiam fazer.
E quanto à Esperança média de vida.
Um português nascido em 1960 esperava viver cerca de 64 anos: isto significa que, a manterem-se as condições da altura, as hipóteses de eu estar viva eram muito pequenas.
Em 2020, a esperança de vida em Portugal era de 81 anos, ultrapassando a média da União Europeia. No triénio 2021-2023, a esperança de vida à nascença em Portugal foi estimada em 81,17 anos.
A Esperança Média de Vida ao nascer faz parte do Índice de Desenvolvimento Humano, bem como a Média de anos de Escolaridade e o Rendimento Bruto per Capita. Medido em 2024, numa escala de 0 a 100 obtivemos a pontuação de 87,4 e a 42a posição entre 193 países.
É bom termos a noção que existem países em que a Esperança Média de vida não chega ainda aos 60 anos e em que a escolaridade média não chega aos 2.
O que é que mudou no nosso país para haver esta evolução; aconteceram muitas coisas e aconteceu o 25 de Abril.
Mas voltemos um pouco atrás:
Em 1965 é criado o Programa Nacional de Vacinação.
O Prof. Arnaldo Sampaio (pai do antigo Presidente da Republica Jorge Sampaio), entre muitas atividades, trabalhou nos Laboratórios de Bacteriologia e Virologia do Instituto Nacional de Saúde e começou a inquietar-se com a dimensão das doenças, nomeadamente aquelas para as quais já havia vacina. Era preciso acabar com o flagelo.
Era preciso saber, também, onde ir buscar as vacinas e quem as podia pagar. O País era pobre e as prioridades eram outras. O mecenas do primeiro Programa Nacional de Vacinação foi a Fundação Calouste Gulbenkian.
Nesta altura, o programa sendo nacional (de nome), funcionava efetivamente mais na zona de Lisboa; não havia, na província, quem o pudesse operacionalizar, nem havia vacinas para toda a população. A vacinação começou por ser dirigida às escolas. Eu fiz a minha primeira vacina em 1966 ou 67.
Nesta época, as crianças nasciam em casa e só os mais pobres de entre os pobres nasciam no hospital, as gravidezes não eram vigiadas nem as crianças após o nascimento. Não havia controle do peso, nem da alimentação, nem do desenvolvimento.
Em 1971 (ainda antes do 25 de abril) foram criados os primeiros centros de saúde – os centros de saúde de primeira geração, associados ao que então se entendia por saúde pública -, incluindo atividades como a vacinação, vigilância de saúde da mulher, da grávida e da criança, saúde escolar e ambiental, entre outras.
Em 1975 foi criado o Serviço Médico à Periferia, que consistia na prestação obrigatória de um ano de serviço médico a nível concelhio ou local e que levou cuidados de saúde a populações que nunca os tinham tido.
Em 1979, pela mão do Dr. António Arnault, nasce o Serviço Nacional de Saúde, com a missão de prestar cuidados globais de saúde a toda a população, financiada através dos impostos em que o Estado salvaguarda o direito à proteção da Saúde
Entretanto as condições de vida, de alimentação, de água e saneamento começaram a melhorar para uma grande parte da população; estas condições foram absolutamente essenciais para a diminuição da mortalidade infantil, para a diminuição da incidência e da mortalidade pelas doenças infeciosas1 e para o
aumento da esperança média de vida.
A Saúde das populações deve-se em parte ao Serviço Nacional de Saúde, mas muito mais aos esforços conjugados da comunidade (e aqui incluem-se as autarquias, as escolas, as empresas) na melhoria das condições de vida e de trabalho; a habitação, a qualidade da água, a alimentação são essenciais para uma vida saudável. Garantidas estas condições base, cabe a cada um contribuir para a sua saúde através de escolhas saudáveis; e depois temos o Serviço Nacional de Saúde. O Serviço Nacional de Saúde acompanha-nos desde antes do nascimento até à morte: vacina, avalia o desenvolvimento e o crescimento, chama-nos para consultas de vigilância ou rastreio, deteta anomalias, encaminha para hospitais especializados, recomenda, orienta, mas não nos substitui. Nós podemos fazer escolhas!
Não podemos atribuir todas as culpas da falta de saúde ao Serviço Nacional de Saúde; se eu vivo numa casa húmida, se a rua onde moro não tem iluminação pública, se trabalho numa empresa que paga mal e as condições de trabalho são miseráveis, se os meus filhos frequentam uma escola distante sem acesso a transportes públicos, eu não posso ter saúde, por muitos Cuidados que os serviços de Saúde me proporcionem. Uma coisa é ter acesso à Saúde, e outra aos Cuidados de Saúde. Somos todos responsáveis enquanto comunidade.
Não podemos esquecer o Dr. Kofi Anan, secretário geral das Nações Unidas entre 1997 e 2007, que identificava a pobreza como o maior fator determinante da doença.
Ouvimos muitas notícias sobre as debilidades do SNS, que as tem, não ouvimos nada sobre o que o SNS continua a fazer, as conquistas diárias, as respostas e os êxitos, que também tem.
São notícias… só é notícia o que sai da norma, o que é normal é chato. É notícia se nasce uma criança numa ambulância a caminho da maternidade e isso ainda aconteceu este mês com uma parturiente de Ílhavo. Não é notícia todas as outras que nascem no hospital, com todos os cuidados.
Não é notícia todas as gravidezes que são vigiadas, o cuidado que é posto na vigilância das crianças, o cuidado que é prestado aos mais idosos. Não, isso não é notícia.
No SNS perspetivam-se tempos difíceis, mas desistir não é a solução.
Aguardemos que o novo governo, seja de que partido for, saiba escolher um ministro ou uma ministra da Saúde que olhe para o Serviço Nacional de Saúde como a mais valia que ele é para toda a população.
O Serviço Nacional de Saúde foi uma das maiores conquistas do 25 de abril, tem que continuar a ser um pilar de justiça e igualdade.
Não pode ser um serviço só para pobres ou só para ricos, tem que ser um serviço para todos, de acordo com as necessidades de cada um.
Eu acredito no SNS, eu trabalhei lá 41 anos.
Por último, mas não menos importante, não posso deixar de referir que esta data tornou-se ainda mais importante para mim quando nasceu o meu neto Alexandre, 40 anos após a revolução e, portanto, faz hoje 11 anos.
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Por José Pedro Caçador, aluno do Agrupamento de Escolas de Ílhavo
Há cinquenta e um anos, deu-se o 25 de Abril. Há cinquenta anos realizaram-se as primeiras eleições livres e que deram a todos, independentemente do seu género, classe, religião ou quaisquer outras diferenças, a oportunidade de votar.
O 25 de Abril, não pode cair no esquecimento, não o podemos tratar como apenas mais um acontecimento na nossa história. Se não o preservarmos, a ferrugem política, conhecida também por populismo, e posteriormente, por fascismo, pode faze-la cair.
A revolução dos cravos permite-nos, hoje, estar aqui com o que conhecemos como liberdade de expressão, um conceito que antes da nossa revolução não só estava esquecido, mas sim era desconhecido. Foi esta que deu espaço à realização de documentos de extrema importância e fundamentais, como por exemplo: a nossa atual constituição, a lei de imprensa, o direito à greve e à sindicalização e a lei de bases do sistema educativo.
Hoje, há 51 anos as pessoas não tinham plena noção ou dimensão do que estava a acontecer, mas foi o sentido de liberdade do Povo que fez que pessoas como Celeste Caeiro saíssem à rua e gritassem Liberdade.
Nunca deixou de haver consciência do que era um regime ditatorial pelos apoiantes do regime, porém na hora chave, quando Salgueiro Maia abriu os braços em frete ao canhão e por mais que o brigadeiro Junqueira dos Reis mandasse o oficial dentro do tanque abrir fogo, este não o fez.
Porquê? Porque naquele dia, a liberdade falou mais alto do que a opressão.
O 25 de Abril, amanheceu com uma ditadura, com censura, com presos políticos, com a PIDE e com uma guerra colonial, e no final do dia já todos tinham a certeza que tudo isso já tinha acabado ou ia acabar.
O 25 de Abril abriu a porta àquilo que muitos politólogos chamam de “A terceira vaga da democratização”. Esta vaga abrangeu países como a Espanha até países na América do Sul. Isto é, foi e é a força da nossa revolução.
Quase tudo naquele dia foi perfeito, desde a adesão do povo que transformou este golpe de estado numa revolução popular até ao plano posto em prática pelos militares. Mas neste dia nem tudo foi um mar de cravos. Houve 4 vidas perdidas naquele dia, porém aqueles indivíduos que procuravam a liberdade não faleceram em vão. Estas 4 vidas tiradas foram o último suspiro do Estado Novo num ato de desespero e cobardia.
Hoje celebramos também os 50 anos das primeiras eleições livres, o papel dos boletins do voto, foram oferta da Suécia, o esforço da organização e da logística foi dos militares e 92% dos recenseados votaram sem medo pela primeira vez, independentemente das suas diferenças.
Em tempos de instabilidade política, é importante manter os valores democráticos: respeitar as diferenças de cada um, manter o acesso igualitário à educação, manter o habitação, manter o direito à liberdade de expressão, manter o direito ao trabalho e ao repouso.
Estas definições que parecem tão simples, parecem cada vez mais a esquecidas.
De todas as conquistas do 25 de abril: o SNS o salário mínimo nacional, o direito às férias pagas, quero sublinhar a educação.
O papel da Escola pública é essencial, para se manterem os valores democráticos, afinal, só existe uma escola democrática porque esta é a expressão dos valores do 25 de Abril e é esta mesma escola que tem como função perpetuar estes valores para as gerações futuras.
A escola pública é mais que um espaço de ensino, é um espaço de transformação. É nela que se formam cidadãos, não apenas academicamente, mas também em valores, em consciência e em participação cívica.
É na escola que se deve aprender conceitos como: respeito, diálogo e inclusão. É onde os jovens têm contacto com ideias e realidades diferentes das suas, e é lá também que aprendem a conviver com elas.
A escola pública é uma porta de entrada para a igualdade, ela garante a todos o direito à aprendizagem, sem distinção de classes, cor de pele, religião ou origem. É lá que se transformam obstáculos em oportunidades.
A comunidade escolar em conjunto deve praticar no quotidiano, aquilo que se deseja para toda a sociedade.
Juntamente com a escola pública cabe às gerações mais velhas, transmitir aos mais novos os valores de abril, para que estes não sejam esquecidos.
A par do sistema educacional português, quem viveu o 25 de Abril, é quem tem o papel mais importante para que os valores democráticos não caiam num fosso político de interesses pessoais.
Hoje enfrentamos desafios para manter o espírito de Abril vivo:
As desigualdades sociais persistem, a crise na habitação e na saúde mantêm-se, a participação política e cívica tem vindo a diminuir, alimentando os discursos populistas.
Num estado democrático como é o Português, a democracia não pode ficar para segundo plano, assim devemos continuar a lutar pelos valores que vieram a Portugal no 25 de Abril de 74, votando!
Defender os direitos sociais de todos, lutar pela justiça social e pela inclusão e acima de tudo valorizar o nosso sistema democrático deixou de ser um direito, é um dever !
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Por Lucas Fontoura, aluno do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Nazaré
Cumprimento, reconhecidamente, em nome dos jovens do AEGN, a Mesa na pessoa do Senhor Presidente da Assembleia Municipal, o Senhor Presidente da Câmara Municipal, os Senhores Vereadores, os Senhores Deputados e toda a comunidade.
25 de Abril de 1974, momento que não vivi na primeira pessoa, mas que reconheço refletido na
minha vida!
Assim, permitam-me evocar a história e vaguear o pensamento nas palavras que Abril nos permitiu, pois…
Olhamos a estrela como olhamos o fogo, sabendo que são uma mesma substância apenas diferindo na distância em que a si mesmos se consomem.
Porque Abril foi estrela no céu de um povo que já esquecia o nome das constelações.
Foi também brasa em punho, sussurro de lume em porões de medo,
até romper em claridade no corpo de uma madrugada.
Durante demasiado tempo fomos silêncio.
Fomos parede de ouvido e olhos fechados.
Fomos passo curto em rua vigiada,
fomos mãe calada, livro escondido,
fomos grito engolido a seco como pedra.
Mas mesmo no mais longo dos invernos, a seiva sonha primavera.
Mesmo no mais apertado dos apertos, o coração ainda guarda em compasso livre uma rotação incompleta.
Sem aviso, sem alarde, com cravos.
Flores de um vermelho tão vivo que nem as balas se atreveram a calá-las.
Soldados desobedeceram com coragem,
e o povo obedeceu à esperança.
Foi então que cantaram.
Desfizeram muros com passos decididos.
Não gritaram vingança – gritaram Liberdade.
E esse grito não se calou, nem se cala, foi como quem planta árvore para a sombra de filhos ainda por nascer.
Abril não nasceu como nascem os dias –
nasceu como nascem os poemas:
num sobressalto, num sussurro, numa súbita vontade de dizer tudo na menos efémera brevidade.
Mesmo que as palavras ainda tremessem, foi nesse instante que deixámos de ser sombras de nós mesmos.
As janelas abriram-se como se as casas respirassem pela primeira vez.
O medo recuou perante a alegria descalça dos que dançavam
nas avenidas recém-libertas, como gente, com o coração no pé pronto a ser calçado.
Abril fez-se gente.
Gente de carne e osso, de alma e suor,
que se recusou a aceitar que nascer para obedecer fosse destino.
E agora, passados 51 anos, cabe à minha geração o espelho e a herança.
Não tivemos que empunhar cravos como escudo,
mas herdámos a luta, o privilégio, e o peso de os manter encarnados.
Abril ensinou-nos que há fogos que não devoram — iluminam.
E nós jovens, somos chama em espera,
constelação por nomear,
poema por escrever na margem de uma história já contada.
E mesmo que hoje tenhamos outras lutas,
outros muros, outras madrugadas por nascer,
que nunca nos esqueçamos do que ardeu naquele tempo.
Sim, à estrela e ao fogo.
Sim à luz e à coragem.
Ao sonho e à ação.
Que saibamos ser dignos do que nos foi dado:
não herdeiros do conforto, mas guardiões da chama.
Semeadores do amanhã.
E se algum dia nos tentarem apagar,
lembremo-nos:
somos feitos da mesma matéria que os astros –
só precisamos de céu livre para arder.
E mesmo quando parecer que andamos lentos,
quando o progresso for caminho de pedra e vento,
lembremo-nos —
a lua anda devagar,
mas atravessa o mundo.
E assim também Abril:
passo a passo, verso a verso,
trespassa gerações em sonho de uma nova primavera.
E se um dia nos faltar a palavra, o fôlego, ou a força — que não nos falte a coragem de criar. De lutar.
Sejamos como o poeta, não havendo outra tinta no mundo, usou do seu próprio sangue.
Não dispondo de papel, escreveu no próprio corpo.
Assim nasceu a voz — o rio em si mesmo ancorado.
Como o sangue: sem foz nem nascente.
Porque Abril é isto:
um gesto que se faz carne,
um verso que se escreve com a vida,
uma liberdade que não começa nem termina – apenas continua
em nós.
Abril Sempre!
Obrigado!
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Por Bernardo Figueiredo, aluno do Agrupamento de Escolas da Gafanha da Encarnação
Cumprimento o Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Ílhavo Dr. Paulo Pinto Santos, e
restante mesa.
O Sr. Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, João António Filipe Campolargo e
restante executivo, Srs. Vereadores.
Cumprimento os Srs. Presidentes das Juntas de Freguesia da Gafanha da Encarnação, da Gafanha do Carmo, da Gafanha da Nazaré e de São Salvador.
Cumprimento os meus colegas e representantes das escolas e agrupamentos do município.
Por fim, cumprimento o público que está aqui presente nesta sessão evocativa do 25 de Abril de ’74.
Hoje, todos nós estamos aqui a dizer o que pensamos. Há tempos, os portugueses não podiam falar do Governo, do que achavam mal no Governo não podiam se expressar! Estávamos no Estado Novo.
Viemos a esta Assembleia porque gostamos da nossa Nação. E por isso, lutámos há 51 anos pela nossa liberdade.
No dia 25 de abril de 1974, Portugal viveu um momento histórico que mudou para sempre o seu destino. Conhecido como a Revolução de Abril, dos Cravos ou da Liberdade, este dia mostra a luta pela liberdade e pela democracia, marcando o fim de uma longa ditadura que no início, era vista até positivamente pela maioria da população.
Hoje, celebramos não apenas a liberdade conquistada, mas também os valores de justiça, igualdade e solidariedade que resultaram desse movimento. Para mim, o 25 de Abril é como uma foto guardada num álbum de fotografias que procuro, sempre que preciso, de me lembrar que hoje sou livre porque um dia alguém lutou pelos meus direitos e dignidade.
Não vivi o 25 de abril. Os meus amigos…, não viveram o 25 de Abril. Eu não sei como foi ou o que eu sentiria nesse dia. Não sei se sentiria liberdade ou não… não o vivi!!
Os meus avós viveram o antes e o depois do 25 Abril e contam-me que a escola era muito diferente do que é agora: os rapazes e as raparigas tinham aulas em salas separadas, com professores distintos. Professor para os meninos e professora para as meninas. Os recreios eram também separados e não podiam brincar juntos como nós podemos agora. À entrada da sala todos tinham de saudar a foto do chefe do governo e cantar o hino de Portugal. Muitas crianças e jovens pouco aprendiam pois tinham de sair da escola muito cedo para ir trabalhar e ajudar a família.
Quando os meus avós eram crianças, havia muita pobreza. Não havia luz elétrica, nem televisão, nem fogão a gás.
O poder de compra era muito reduzido, e as refeições eram feitas no lume do borralho que servia
também para aquecer a casa. Comiam o pouco que a terra dava e o que da pesca conseguiam apanhar.
Havia pouquíssimos serviços de saúde onde pudessem recorrer quando precisavam. Muitas
crianças morriam ou ficavam doentes porque não havia acesso a hospitais e médicos.
O nosso país estava fechado e isolado do resto do mundo.
As notícias não chegavam, mas também não saíam.
Os meus avós viveram tempos difíceis, tempos que recordam com tristeza.
Cresceram com medo de falar e de expressar as suas opiniões.
Os meus avós cresceram com medo de sonhar. E hoje incentivam-me a lutar pelos meus ideais, a sonhar com um país justo e democrático. Um país onde eu posso ser e fazer…
Viver em liberdade é poder ir à escola, brincar com os meus amigos e amigas, expressar com respeito a minha opinião, ter acesso a cuidados de saúde, poder escolher o caminho que quero seguir.
Liberdade é um caminho, que deve ser feito com coragem, união e determinação. Um caminho que deve ser feito por cada um de nós.
Neste dia, honramos todos aqueles que se sacrificaram pela liberdade e renovamos o nosso compromisso com a democracia, para que possamos continuar a construir um Portugal mais justo e inclusivo para todos, todos e todos!!!…
TODOS!!! Devemos respeitar a opinião dos outros! Aceitá-la. Ajudá-la a crescer, contribuindo também com um pouco da nossa ideia!!
TODOS!!! Devemos trabalhar para a democracia! Justa e racional! Não a deixemos cair em vão!
Vamos deixar a democracia acontecer, com respeito pelo outro. Pelo outro que tem outra opinião diferente da minha!
Devemos ter respeito pelo que está ao nosso lado! Ao respeitá-lo, promovemos o respeito mútuo!
Respeitemo-nos uns aos outros: homem, mulher, presidente, vereador, ministro, deputado ou um simples cidadão que vive na rua!!!!
O 25 de Abril veio nos ensinar isto: o respeito, a igualdade entre homem e mulher, com mais ou menos capacidades. Veio nos trazer a LIBERDADE, que infelizmente hoje nem sempre é respeitada!
Veio nos trazer OPORTUNIDADES que muitos não tinham!
A nossa Nação tem muito que crescer nesses aspetos!
A todos e a todas que lutaram pela LIBERDADE NO 25 DE ABRIL DE ’74:
BEM-HAJAM!!!!
Que perdurem no nosso país os valores que o 25 de Abril nos trouxe!!!!!
VIVAMOS TODOS E TODAS COM OS IDEAIS DO 25 DE ABRIL!!
NÓS… TAMBÉM O PODEMOS FAZER AQUI, AGORA, COOPERANDO UNS COM OS OUTROS!!
VIVA O 25 DE ABRIL!!!
VIVA A LIBERDADE!!!
A TODOS OS QUE ME OUVIRAM, UM SINCERO OBRIGADO!!










