Hábitos nacionais

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O Carlos é um amigo com mais trinta anos do que eu. De cada vez que o encontro, ao telefone ou ao vivo, as queixas são sempre uma parte corpulenta da conversa, que nem sempre passa por aquilo que se apelida de diálogo. Na verdade, emotivo e exasperado, Carlos deixa-me sempre pouco tempo para contrapor o que quer que seja. Estas linhas servem, somente, para mostrar ao mundo como tantas vezes criticamos nos outros exatamente aquilo que estamos tão habituados a fazer. Quando achas mal e fazes igual. E não tens a mais pequena noção disso. Ou se tens, fazes de conta que não.

A última vez que falei com o Carlos foi ao telefone. Ligou-me porque tinha visto na televisão que a Madonna teria arrendado um espaço à autarquia lisboeta para estacionar os seus carros e dos que com ela andam. Os quinze carros precisavam de um espaço considerável e Carlos achava que era de uma enorme injustiça que por pouco mais de 700€ os quinze carros pudessem ter poiso certo, enquanto muitos outros, que não seriam estrelas como Madonna, teriam muita dificuldade em estacionar a sua humilde viatura. Depois de ter tentado que a conversa não fosse um monólogo – até porque estava a chegar à creche – tentando demonstrar-lhe a minha parcial concordância, este meu velho amigo termina com a frase «é sempre a mesma coisa, são todos iguais».

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