“Quem diria que eu ia ser tão feliz depois de velha”

O Festival Cabelos Brancos decorre até dia 5 de outubro, mas já há muito para contar e recordar dos primeiros dias do evento.

0
282
AFONSO RÉ LAU

Nos dias 20 e 21 de setembro, Ílhavo foi palco de concertos, projetos comunitários, instalações e percursos artísticos subordinados à temática do papel da mulher no envelhecimento, tudo pensado por e para a comunidade sénior e no âmbito do Festival Cabelos Brancos. Dois dias de grande intensidade em que os mais velhos reuniram, conviveram e inspiraram ilhavenses de todas as idades e em que a Arte esteve em destaque.

Fernando Caçoilo defende “vida ativa para os seniores” em Ílhavo. Na abertura do Festival Cabelos Brancos, na manhã de 20 de setembro, no Jardim Henriqueta Maia, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo convidou os maiores a “deixarem o sofá e virem tirar partido dos bons momentos vividos em comunidade”. Um desses momentos, que envolveu dezenas de seniores na sua preparação e representação, foi o “Baile de Quimeras”.

O “Baile de Quimeras”, um projeto comunitário de teatro e dança, contou com apresentações muito diversificadas e espalhas por vários espaços urbanos nas imediações da igreja matriz. Eduarda Pereira, por exemplo, escolheu recriar a história do “Macaco do Rabo Cortado”, uma das fábulas que ouvia em criança. Houve tempo ainda para a interpretação, teatralizada, dançada ou cantada de muitos outros sonhos, memórias e vivências. Esta liberdade de escolher e criar, sempre com a responsabilidade sobre o objeto artístico a apresentar e o compromisso de participação e empenho, parece ser uma das bases de sucesso do projeto Maiores Idade e, no seu seguimento, do Festival Cabelos Brancos.

Terminado o Baile, regressados ao Jardim, houve conversa com Lena d’Água. A cantora, que viria a atuar nessa mesma noite, falou sobre o percurso profissional, o seu próprio envelhecimento, as causas ambientais e ecológicas que defende e a relação que tem com os seus animais de estimação.

A tarde não terminou sem que o Camarim Maria Ascensão acolhesse a “Máscara”, uma performance mística e provocatória, que remetia para a emancipação da mulher e que, incentivando à participação da comunidade, encerrou com um “grande brinde à felicidade”, como conta a sénior Noémia Ribau, uma das participantes mascaradas.

Há noite ouviu-se Lena d’Água que, com a voz de sempre, trouxe a Ílhavo canções novas do seu último álbum – “Desalmadamente”. Este recente trabalho de Lena d’Água tem sido elogiado pela crítica, sendo tido como um bom exemplo de reinvenção e de tudo aquilo que o Festival Cabelos Brancos representa.

A noite aproximava-se do fim, mas a maior surpresa ainda estava para chegar. O DJ set de Maria Vai Com Todas contou com a surpreendente e enérgica participação de Graciete Abreu e Rosa Labrincha, duas seniores ilhavenses, que escolheram as canções e animaram a Calçada Carlos Paião até às duas da manhã. No fim, Rosa estava cansada, mas muito feliz. “Os velhos deram trabalho aos jovens. Eu estava com receio de não aguentar, mas com um comprimidinho a coisa compôs-se. Foi muito bom ver toda a gente contente e a dançar”, confessava no dia seguinte.

(Leia na íntegra na edição em papel)

DEIXE UMA RESPOSTA

Introduza o seu comentário
Introduza o seu nome