O Centro de Ação Social do Concelho de Ílhavo – CASCI – é uma referência no panorama das instituições de solidariedade social em termos nacionais. Distribuindo a sua área de intervenção pela infância, resposta social traduzida na existência de creche e educação pré-escolar espalhada pelo concelho, pelo acolhimento através de estruturas para idosos e centro de dia, reabilitação de pessoas com limitações físicas e psicológicas, e ainda o apoio a pessoas com dificuldades económicas e em risco de exclusão social, através da ação social, assim se percebe melhor a sua dimensão. A multiplicidade de respostas que esta instituição oferece, é um orgulho para a cidade, para o concelho, para as instituições públicas de Ílhavo e, principalmente, um orgulho para cada um de nós.

Este texto é curto e por isso insuficiente para situar a grandeza do CASCI, dos seus trabalhadores e dos dirigentes que dele fizeram a sua causa durante os últimos 39 anos. A causa da solidariedade, do amor ao próximo, da disponibilidade de ajudar acima de qualquer outra ambição, do sentimento de pertença apesar das dificuldades e limitações, é o cartão de visita desta grande casa. Feita por pessoas, para pessoas. Feita de uns para os outros. Ocupando um lugar de relevo, por direito próprio, nos corações de muitos milhares de pessoas, que ali encontraram um espaço adaptado, uma horta comunitária, uma sopa quente, um quarto e uma cama que serviram de aconchegado aos últimos dias de uma vida de trabalho. O CASCI que conheço é este. O único carreirismo que conheço nesta entidade é a ambição, tantas vezes exagerada, de fazer mais pelos outros e pelas suas vidas. Sempre e cada vez mais com menos.

Entre todos os trabalhadores que conheço e os dirigentes que conheci, Maria José Senos da Fonseca Picado foi talvez a mais marcante. Fundadora desta obra, pela sua simplicidade na ação, pela abrangência que sempre teve na administração das muitas valências e da dificuldade inerente à sua dispersão, pela facilidade de falar dos pobres e com os pobres, das pessoas com deficiência, da miséria que a todos atormenta e que a martirizava de forma ainda mais incisiva e persistente. Talvez, por isso, até aos seus 69 anos, não parou nunca de fazer crescer a instituição que viu nascer, fazendo crescer com ela tantos e tantas que nunca sentiriam o cheiro de alguma autonomia funcional, de alguma independência económica, de algum acolhimento e inserção social, se não fosse através da passagem pelas portas do CASCI. A dona Zeca deixou de as atravessar farão este mês 12 anos.

Um sopro de humanidade, de inconformismo perante a indiferença dos poderes públicos em relação aos mais fracos e excluídos da sociedade, uma tomada de consciência de que a sociedade é um corpo homogéneo que merece ser «levantado do chão», começando precisamente por aqueles que mais dificuldades têm de o fazer. Entre todas as valências, não serão menos de mil aqueles que sentem a mão amiga da instituição. Nestes 39 anos, terão sido muitos milhares. Numa história que muito bem tem feito a Ílhavo e às suas gentes. Um bem-haja por tudo isso.

Duas notas finais;

A primeira, para corrigir uma gralha do último texto. No terceiro parágrafo, referia «Apesar de mais inscritos para votar, houve menos pessoas a exercer o seu direito e dever de voto» não tendo concretizado que me referia à Gafanha da Nazaré. Sem esta precisão, não correspondia à verdade.

A segunda, para lamentar o desaparecimento de Maria do Céu Lopes. Aveiro, Ílhavo e a Comunicação Social ficaram muito mais pobres.

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