Requalificação do Jardim Henriqueta Maia vai exigir mais 635 mil euros de investimento

Executivo camarário vai avançar com a requalificação do Jardim Henriqueta Maia. Oposição diz que o projeto é “pouco ambicioso” e foi “delineado nas costas dos ilhavenses”.

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A Câmara Municipal de Ílhavo vai investir mais de um milhão e setecentos mil euros – cofinanciados em 85% pelo programa CENTRO 2020 – na requalificação do Jardim Henriqueta Maia e já abriu concurso público para tal empreitada. O projeto chega a concurso público com uma previsão de investimento superior em mais de 635 mil euros relativamente à estimativa apresentada em janeiro.

Para o executivo, este é um projeto que vai “promover uma melhor mobilidade, reduzindo a área de circulação automóvel, permitindo maior fluidez de trânsito – com a substituição do cruzamento semaforizado da avenida 25 de abril por uma rotunda -, concebendo corredores cicláveis e alargando as áreas pedonais”. Para além disso, considera o executivo, trata-se de um projeto que “preserva a identidade histórica do espaço que integra estátua de D. Manuel Trindade Salgueiro, o monumento de homenagem aos mortos da Primeira Grande Guerra, a Igreja Matriz e o antigo quartel dos bombeiros”, tem em conta as novas utilizações do espaço público, capacitando-o para as “propostas culturais, de lazer e convívio e comerciais” e, “principalmente, amplia a mancha verde”.

Opinião diferente têm os vereadores do PS, que consideram o projeto “pouco ambicioso”, já que “não promove nenhuma alteração estrutural”, preferindo “resignar-se” e manter “a deficiente funcionalidade dos espaços”. Para os socialistas, o centro de Ílhavo “como está, não serve” e, por isso, precisa de requalificação. No entanto, no entender da oposição, a proposta da maioria PSD à frente da câmara municipal “não resolve os problemas do centro da cidade, não melhora a qualidade de vida das pessoas e, por isso, não servirá os desafios que se colocam a Ílhavo”.
Para o PS, “em tempos de aposta na descarbonização”, este projeto “mantém soluções antigas que dão primazia à circulação rodoviária” e “trata o espaço verde como mero ‘canteiro’ da cidade”.

“A intervenção deveria assumir o espaço entre a Casa da Cultura e o Pavilhão Municipal como área preferencialmente pedonal em que os possíveis atravessamentos viários com sentido norte/sul, sendo possíveis, deveriam ser de caráter local e residual, com condicionamentos impostos na circulação”, consideram os socialistas.

Projeto “delineado nas costas dos ilhavenses”

O PS reclama que “o projeto [de requalificação do Jardim Henriqueta Maia e zona envolvente] foi delineado nas costas dos ilhavenses”, sem que tenha sido promovido qualquer debate público sobre o assunto, e que “o resultado final espelha esse fechamento, pela pobreza de ideias que apresenta”. Na opinião dos socialistas, o projeto tem, assim, um “risco elevado de falhar”, uma vez que “a falta de participação das pessoas no desenvolvimento das ideias gera ausência de identificação com os projetos e manterá, lamentavelmente, o deserto de vivências na cidade”.

Em resposta ao PS, o executivo de maioria PSD alega ter tido, ao longo de todo o processo, “o cuidado de agir de forma transparente, consciente da importância do projeto e da relevância do valor do investimento em causa”, deixando certezas quanto preocupação da câmara para “com as pessoas, o seu bem-estar e a qualidade de vida”.

Fernando Caçoilo recorda ainda que “a câmara promoveu, no dia 13 de julho de 2017, uma sessão aberta a toda a população – que foi convidada para tal – de debate do projeto de requalificação do centro urbano de Ílhavo”. Essa sessão, lembra Caçoilo, “contou com a presença dos arquitetos Mário Silva e Paradela, responsáveis pelo projeto, bem como dos ilhavenses interessados”.

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