Governo encerrou as escolas e avançou com aulas à distância

Em poucos dias, professores e alunos tiveram de se adaptar às mudanças e continuar a trabalhar para consolidar a matéria.

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O ILHAVENSE

A 13 de março, o Governo anunciou a suspensão de todas as atividades letivas e não letivas presenciais em todos os graus de ensino, do primeiro ciclo do ensino básico ao ensino superior, com efeitos a partir de dia 16, a segunda-feira seguinte. Desde aí, centenas de escolas e universidades têm estado encerradas, uma realidade que que afeta cerca de dois milhões de alunos em todo o país. 

Escolas, professores, alunos e encarregados de educação tentam adaptar-se à nova conjuntura, improvisam novas modalidades de ensino à distância, disponibilizam recursos de forma digitais, trocam e-mails e, nalguns casos, até já fazem aulas por videoconferência. Mas há uma preocupação comum a atormentar toda a comunidade escolar: alunos de meios mais desfavorecidos, que não têm acesso aos recursos tecnológicos necessários, estão, à partida, prejudicados. 

Chegar a todos

“A nossa preocupação é chegar a todos os alunos”, garantem as diretoras dos três agrupamentos de escolas do Município de Ílhavo. Conceição Canhoto, do do agrupamento de escolas de Ílhavo, ssegura que “todas as disciplinas estão registadas no moodle, uma plataforma de apoio à aprendizagem em contexto virtual à qual professores e alunos têm acesso e através da qual os professores disponibilizam exercícios ou propostas de trabalho para os alunos desenvolverem e os alunos enviam as respostas ou resoluções para os professores corrigirem e avaliarem. A diretora afirma que “já tem havido algumas aulas online com o apoio da Porto Editora, da Leya e outras editoras”.

No caso da Gafanha da Encarnação, a diretora, Ana Caiado, explica que, “nestas duas semanas, não foi lecionada matéria nova. [Estas semanas] foram, sim, usadas para reforço das aprendizagens que estavam em curso antes do encerramento das escolas”. Este agrupamento de escolas fez um levantamento dos alunos que tinham acesso à internet, bem como um dispositivo disponível no qual o pudessem fazer. Percebeu-se  que “a maior parte dos alunos [daquele agrupamento] tem acesso à internet”, mas, mesmo assim, por vezes, isso não é suficiente. “Muitas vezes até há acesso à internet no agregado familiar, mas os pais estão em teletrabalho no computador de lá de casa e isso não é compatível com as aulas dos filhos; noutras famílias, com várias crianças ou jovens em idade escolar, é complicado gerir um só computador para as aulas de todos os irmãos”.

Segundo dados divulgados pelo agrupamento de escolas da Gafanha da Encarnação, neste momento, 150 alunos daquele agrupamento não têm computador ou outro dispositivo de comunicação em casa e 70 carecem mesmo de ligação à internet.  

No que ao agrupamento de escolas de Ílhavo diz respeito, “muitas crianças não têm computadores nas suas casas, mas quase todos os agregados familiares têm smartphones. E as crianças são muito expeditas na utilização de aplicações como o Facebook Messenger ou o WhatsApp”. É  a estas ferramentas que, provisoriamente, alguns professores têm recorrido para comunicar com os alunos. 

No agrupamento de escolas da Gafanha da Nazaré, aos “alunos que não tinham acesso a recursos digitais, fizemos chegar, a casa, em suporte papel, material de trabalho”, diz a diretora Eugénia Pinheiro. 

O papel dos pais

Ana Caiado reconhece que a grande maioria dos pais tem colaborado naquilo que é o contacto professor – aluno – professor. Também em Ílhavo, a diretora elogia o papel dos encarregados de educação na gestão desta crise e na cooperação com os professores. “Não é fácil para um pai ou uma mãe estar em casa isolado ou em regime de teletrabalho e ainda ter de orientar o filho nas tarefas escolas à distância”, mas, de uma maneira geral, os encarregados de educação têm revelado “serenidade” e sido um “bom apoio” para os professores, garante Conceição Canhoto. 

Exames? Avaliações? Como terminar o ano?

Neste momento, e desde dia 30 de março, vive-se um período de férias da Páscoa, mas alunos e professores continuam sem saber como vai ser o 3º período ou, no caso das universidades e politécnicos, o fim do semestre. Tendo em conta a evolução da pandemia, o mais provável é que, por segurança,  esta situação se prolongue e as escolas continuem fechadas. 

“A manter-se a situação, no 3º período, tentaremos reunir condições para um efetivo ensino à distância, de forma síncrona e mantendo a interação tão importante na relação pedagógica”, assegura Eugénia Pinheiro do agrupamento de escolas da Gafanha da Nazaré. O mesmo será feito nos agrupamentos de escolas da Gafanha da Encarnação e de Ílhavo. Mas Conceição Canhoto não esconde outra grande preocupação: os exames e as provas de aferição. “Não faz sentido estarmos nesta luta contra o tempo. O Ministério [da Educação] tem de reavaliar a situação e ponderar sobre o fim deste ano letivo”.

Mas, o que fazer? Suspender as avaliações? Alargar o calendário? Eliminar exames? Para já, entre alunos, professores e encarregados de educação reina a dúvida quanto ao desfecho deste ano letivo. Nas direções dos agrupamentos de escolas também não há certezas. “Mais vale perder um ano na vida do que a vida toda num ano” – É uma frase feita, mas, para Conceição Canhoto, adequa-se à conjuntura atual.

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