Estátua de Carlos Paião no Centro da Cidade

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Nascido a 1 de novembro de 1957, Carlos Paião foi um dos mais prezados compositores/cantores portugueses contemporâneos, sendo, ainda hoje, um dos mais referenciados tesouros da música nacional.

As suas letras- (comicamente condimentadas por uma suave ironia popular que tanto de Ílhavo preservam) – são, recorrentemente, cantadas pelas “crianças Portuguesas de hoje”, o que em muito terá influenciado, certamente, a sua recente condecoração com o grau de comendador da ordem do Infante D. Henrique.

Apesar de natural de Coimbra, Carlos Paião era descendente de uma das mais benquistas famílias de Ílhavo, Terra de “heróis marinheiros” que o viu crescer e que dele passou, incontestavelmente, a fazer parte – (não fosse a cultura regional uma herança irrefutável e um dos pilares da genuinidade dos Homens).

Por tudo isto, não é de estranhar que, recentemente, um grupo de Ilhavenses tenha criado, em rede social Facebook, uma página intitulada: “Queremos uma Estátua do Carlos Paião em ílhavo”.

Ainda que conte já com quase 530 “aprovações”, a causa tem sido alvo de algumas críticas, das quais destaco: “Carlos Paião não fez nada por ílhavo”; “Não fazia questão de dizer que era de ílhavo”; “Não era natural de ílhavo”; “Os pais podem não gostar da suposta homenagem”; “Há figuras Ilhavenses de maior destaque”; “Não é digno de ser assim representado em Ílhavo”. Permitam-me esmiuçá-las, esperançoso de poder estimular um debate em torno da possibilidade de se vir a ter uma estátua de Carlos Paião no centro da cidade.

No que diz respeito ao primeiro argumento mencionado, permitam-me denotar uma certa incompletude que tanto tem de inocente quanto de ridícula. Creio que aqueles que só entendem como “feitos” as obras físicas e palpáveis em muito ficam a dever à grandeza de espírito, já que, como ensina Antoine de Saint_Exupéry, “o essencial é invisível aos olhos”. A obra de Carlos Paião é, essencialmente, cultural e, por isso mesmo, de um âmbito que não interessa a todos. É exemplo o uso de expressões Ilhavenses que viriam a ser eternizadas nas suas letras.

Já o argumento referente à naturalidade do compositor é, quanto a mim, de tónica afrontosa. Somos nós que decidimos a Terra a que pertencemos. A nossa origem não se restringe ao local de nascimento, compreendendo algo maior e nem sempre bem compreendido: O sentimento de pertença. Para além de mais, não é noticioso dizer que o apelido Paião é bem conhecido em ílhavo há já várias gerações.

Igualmente descabido é alegar que o cantor “Não fazia questão de dizer que era de ílhavo”. Não é coisa que se traga “escrita na testa” e/ ou que se diga quando não nos é perguntado. Porém, quando canto Carlos Paião, seja em que Terra for, faço questão de dizer que sou seu conterrâneo. E adivinhem? Não preciso de dizer o nome da nossa nobre Terra para que todos fiquem a saber que sou de ílhavo…

Quanto ao argumento – “Os pais podem não gostar da suposta homenagem”- creio que é totalmente desavisado e de quem não sabe que a trasladação dos restos mortais do Carlos se deu a seu pedido. Para além de mais, a estimada Professora Ofélia Paião faz questão de referir que é de todo o seu agrado sentir que o seu filho é relembrado hoje em dia.

Quanto a mim, o argumento que mais sentido poderia fazer é o de que “Há figuras Ilhavenses de maior destaque”. No entanto, não estamos a falar de reconhecimento regional. O recém- condecorado autor português é, hoje e amanhã, reconhecido e amado, não só pela nobre gente de ílhavo, mas por milhares de pessoas em todas as Terras deste País.

Posto isto, e em modo de conclusão, permitam-me inverter o último argumento, a cima mencionado, contra a iniciativa. E se, mediante tudo o que tenho vindo a referir, tivesse eu a ousadia de dizer que Ílhavo não o merece? (…).Carlos Paião é maior do que uma calçada e a sua homenagem deveria ser capaz de chamar a atenção de todos os visitantes de Ílhavo, tal como ele fez e continua a fazer com os Portugueses em geral.

A possibilidade de vir a ter uma estátua de Carlos Paião em Ílhavo não se trataria, jamais, de uma mera homenagem a um “ilustre nome da Terra”, mas antes a um dos nomes mais estimados da cultura Portuguesa. Representá-lo, desta forma, em Ílhavo, seria histórico e megalómano em emoções. Porque, afinal de contas, é Ilhavense um dos mais respeitados compositores contemporâneos portugueses que tanto fez- e tanto mais poderia ter feito- pela cultura nacional e internacional. Acredito que a homenagem chegará.

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