A correria da vida obriga-nos, a maior parte das vezes, a passar por cima das coisas mais importantes que a própria vida nos oferece.
Fui feliz como criança a partilhar bonecas de trapo que a minha mãe costurava, bolas também de trapo que o meu pai me ensinava a atirar à parede do corredor comprido da nossa casa velha, tanta coisa colorida desses dias e … nunca agradeci.
Fui feliz na juventude nas gargalhadas à solta, nas conversas de horas com amigas que a minha mãe classificava de “sem trelho nem trambelho”, nos bailaricos de carnaval, nos passeios de domingo de tremoços e pevides, nos romances idealizados com actores de “holivude” e… nunca agradeci.
Fui muito, muito, muito mais feliz com os filhos e os netos que vida me deu e dessas vezes não me esqueci de lhe agradecer a dádiva generosa mas, neste momento, a razão destas palavras é outra e tem a ver com a profissão-sacerdócio que alguns deles seguiram e que hoje, dia 12 tem o seu dia grande. Não sou apreciadora de festejos de dias disto ou daquilo, mas abro uma excepção para agradecer a todos os enfermeiros e enfermeiras deste País o esforço, o altruísmo, a doação sem medida que têm dedicado ao Povo nesta época de pandemia. Será porque neste grupo de
heróis sem rosto tenho filhos e netos? Será porque a ferida aberta pela ausência aguarda ansiosamente pelo antibiótico chamado de abraço que tarda? Perdoem-me o egoísmo mas, se calhar, é.
Agradecimento feito, obrigada família, obrigada Enfermeiros!

Ordem dos Enfermeiros

Por Zita Leal

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