Estamos a atravessar um momento que ficará na história da humanidade, se alguém cá ficar para a contar. O planeta dá-nos sinais de alarme e de desgaste. Fenómenos climáticos extremos (inundações e secas) manifestam-se cada vez mais por todo o planeta. E nós continuamos a viver as nossas vidas. O início do novo ano letivo dos miúdos. As compras da semana. As notícias sensacionalistas do jornal da noite que desviam a nossa atenção e preocupações imediatas. Acredito que neste momento devíamos estar a guardar sementes, a conservar alimentos para uns anos, a guardar a água das chuvas e a instalar alternativas para a eletricidade e aquecimento das nossas casas. Os desequilíbrios gerados pela atividade humana vão continuar a provocar pandemias e fenómenos climáticos extremos. Há boas notícias, senão não estaria a escrever sobre este tema! Esta sexta extinção em massa, como chamam os cientistas, é a primeira provocada pelo Homem e pode ainda ser revertida pelo Homem. Não vou escrever aqui sobre as grandes decisões políticas que podem ser tomadas em Novembro no COP27, mas antes sobre aquilo que tu e eu podemos fazer. Deixo-te quatro ideias. 1) Acaba com o caixote de lixo lá em casa: os teus restos de comida são ouro para os solos. A compostagem é a forma mais eficiente de devolver os resíduos orgânicos aos nossos solos. Solos nutridos são produtivos e dão alimentos ricos para a nossa saúde. Se quiseres saber mais sobre as várias formas de fazer compostagem em casa consulta a iniciativa MudaTuga, onde encontrarás informação gratuita sobre o tema. Aqui em casa começámos por fazer compostagem através do método Bokashi, e agora vamos depositar os nossos restos de comida no composto do quarteirão, disponibilizado pela Câmara da cidade onde vivemos. Os resíduos, depois de decompostos, tornam-se terra nutritiva que cada pessoa pode levar para os seus vasos e hortas. Quanto aos resíduos não orgânicos, nós começámos a comprar a granel, o que é fácil de se fazer nos mercados. Assim evitamos gerar lixo para reciclar e preferimos reutilizar embalagens, frascos, sacos, tecidos, etc. 2) Assegura uma parte da tua alimentação: vai guardando algumas sementes dos alimentos que comes e lança-te na aventura de começar a cultivar essas sementes em vasos à beira das janelas, se for esse o único espaço que tens. Se tiveres uma varanda ou um jardim então é um mundo de oportunidades que se abre! É uma diversão para toda a família e um orgulho provar o primeiro tomate da colheita. O mítico Borda d´Água indica as alturas para fazer sementeira/plantação. 3) Vive devagar: claro que demora mais a chegar aos sítios a pé, de bicicleta ou de comboio do que de carro, mas há tanto para apreciar nestas viagens. Podes também partilhar viagens de carro com família ou amigos que vão na mesma direção. Podes adotar novos hábitos de compras mais próximos de tua casa. 4) Poupa água: podes controlar o tempo de duche com uma ampulheta (nós usamos uma para três minutos), usar a água de lavar legumes para as sanitas ou para regar plantas, guardar a água do tempo de espera para água quente para lavar roupa à mão, colocar um bidão ao pé da saída da água das chuvas das caleiras e usar para regar. No final, o mais importante é implementares uma mudança de cada vez, com alegria e sem culpa. O que conta é percebermos que cada um de nós pode contribuir para reverter os grandes erros que têm vindo a ser feitos pela nossa espécie. Lá no fundo, o que desejo e o que vos desejo, é que quando cheguemos ao final das nossas vidas possamos pensar «fiz o que pude para que os meus filhos, sobrinhos, netos, crianças de todo o planeta possam continuar a viver por muito tempo». Porque, no fim do dia, não há planeta B.

Ana Breda

Publicado no jornal O Ilhavense de N.º1310 de 1 de outubro de 2022

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