Diz-me a meteorologia, falível como a conhecemos, que, em princípio, à data em que a maioria dos leitores encontrar este jornal já o pior do mau tempo terá passado. Sendo assim, parece-me impertinente e inoportuno dedicar um editorial a esse tema, que foi o que na verdade nos tomou os últimos quinze dias das nossas vidas. Seria, perdoem-me a graça sem graça, chover no molhado, após tantas opiniões de especialistas e não-especialistas em tantos canais de informação, vir eu agora aqui dar a minha, sem especial nem especializado interesse.
Até porque nos é cada vez mais difícil antecipar, de facto, quando chegará o jornal às casas dos leitores. Atrasará, um, dois, quatro, cinco dias? Quanto do que aqui digo ficará desatualizado? Há que cuidar de ter alguma prudência, dizer apenas coisas que sei que se manterão válidas nos próximos dias, com uma razoável margem de segurança.
Uma dessas coisas será, certamente, o atraso. Tem sido recorrente, desde que iniciei a minha atividade neste jornal, o volume de contactos de leitores que se queixam do atraso da sua chegada, via correio. Tem sido também recorrente, como não poderia deixar de ser, o envio de reclamações para os CTT e a nossa tentativa de explicar aos leitores que é um problema que nos ultrapassa, uma vez que o jornal é enviado no dia certo para todas as casas.
Recorrente tem sido também uma peculiar abordagem por parte dos CTT, recorrentemente alvo de avaliação negativa pela ANACOM e de queixas da Associação Portuguesa de Imprensa. Ao comunicarmos o problema, somos invariavelmente remetidos para preencher um formulário incompreensível, um pequeno absurdo burocrático, que muito pouco tem resolvido, destinado a casos pontuais quando o problema é generalizado.
Ora, é para recompensa deste brioso e estimável serviço prestado a todos nós que os CTT se preparam para aumentar o seu preço em 5,5%. Trata-se de uma “atualização”, um pouco acima da inflação, é certo, mas a verdade é que por aqui já estamos habituados à noção de “atualidade” desta empresa: quando se trata de cobrar, é no tempo “atual”, para hoje; mas quando se trata de entregar a correspondência, é para um tempo que se vai, digamos assim, atualizando – pode ser para amanhã, mas também pode ser para depois de amanhã, ou depois disso.
E perante isto, como se atua? Reclama-se, barafusta-se, pragueja-se um pouco (não perante os funcionários, claro, que culpa nenhuma têm, mas assim para o alto, para uma dimensão imaginária à qual não temos acesso). E, depois disso, atua-se onde é possível: na informação, na consciência do público. Não vamos imutar quaisquer aumentos aos leitores e continuaremos a exigir um serviço melhor, juntamente com as associações do setor, e, como é necessário. Convidamos os nossos leitores a que façam o mesmo, por um futuro onde se possa viver na atualidade.
Texto publicado no nº 1391 d’O Ilhavense, de 15 de fevereiro de 2026.
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