No passado dia 23 de julho, tive o prazer de, juntamente com a Rosário Vieira, da Quinto Palco, e o Jorge Pires, do jornal Timoneiro, moderar uma sessão de leituras e conversa evocativa dos 50 anos do Poder Local em Ílhavo, a convite da Comissão Organizadora destas comemorações da Assembleia Municipal de Ílhavo.
O evento seguiu os moldes do Quiosque da Memória, que habitualmente dinamizamos com a Quinto Palco, e contou com uma participação ampla e muito viva, tornando-se um momento particularmente enriquecedor. Para além das leituras, ou em complemento delas, a noite ficou marcada pelos testemunhos diretos de vários ex-autarcas que viveram o início deste processo em 1976, culminando nas primeiras eleições autárquicas, realizadas a 12 de dezembro.
Creio que é justo dizer que só no aniversário dessas eleições, quando a democracia chega à organização do Poder Local e as comunidades passam a poder eleger os seus representantes autárquicos, se pode considerar verdadeiramente concluída a celebração dos 50 anos do 25 de Abril de 1974. É que a dimensão local da democracia, tantas vezes desvalorizada em benefício da dimensão nacional, constitui a raiz de todo o processo democrático: é aí que ele se torna mais direto, mais relacional e mais próximo dos cidadãos.
Um dos recortes trazidos pelo editor do Timoneiro, Jorge Pires, dava conta de umas eleições para um organismo da paróquia – um sinal de como os processos democráticos foram produzindo um efeito mimético e pedagógico na sociedade. Também a imprensa conheceu os seus próprios processos de democratização e de aprendizagem da liberdade, sendo possível observar uma significativa proliferação de órgãos de comunicação social local nas décadas que se seguiram, um pouco por todo o país.
A verdade é que a democracia é um regime feito de diversas peças, de diferentes escalas de poder e de contrapoder, todas elas essenciais. Um diálogo vivo e participado entre as instituições da política, da cultura, da educação e da economia, mediado por uma comunicação social atenta, é fundamental para a sua robustez e vitalidade.
Pela parte d’O Ilhavense, será sempre com gosto, enquanto isso lhe for possível, que participará em todas as conversas que contribuam para este propósito.
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Publicado no nº 1402 d’O Ilhavense,
de 1 de agosto de 2026.
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