As recentes eleições legislativas na Hungria voltaram a dar uma vitória de dois terços ao primeiro-ministro Orbán e ao seu Fidesz. Ao mesmo tempo, tanto os socialistas (20 deputados) como o partido de extrema-direita Jobbik – a quem Orbán roubou a agenda política – perderam os seus líderes, depois de uma pesada derrota. O Fidesz, que tem feito da contestação às políticas de imigração do espaço europeu a sua maior bandeira, arrecadou 49% dos votos e 133 parlamentares numa câmara que tem 199 lugares. Houve mais eleitores a votar, o que reforça a já de si muito robusta vitória de Orbán. Avizinham-se tempos mais difíceis na relação entre este estado-membro e as entidades europeias, agora que Viktor Orbán parte para o seu terceiro mandato.
Uma das vozes que mais festejou esta vitória foi Marine Le Pen, que viu neste resultado um reforço do nacionalismo no espaço europeu, o que evidentemente a deixou bastante satisfeita, numa altura em que o seu partido se despedaça com cisões e dissidências. Do seu ponto de vista, esta é mais uma peça no puzzle necessário para a criação de uma maioria populista e nacionalista nas próximas eleições para o hemiciclo europeu. Até agora, a realidade não tem feito o favor de lhe dar razão.
Na Síria, a guerra civil continua a fazer mortos. Muitos, crianças, mulheres e idosos indefesos. As acusações entre o regime apoiado pela Rússia e o Irão, e os rebeldes patrocinados por Trump, May e Macron, continuam na mesma medida em que crescem os mortos do conflito. Pela segunda vez, há relatos de que terão sido utilizadas armas químicas proibidas, desta vez na cidade de Douma, nomeadamente cloro e sarin. Acreditando nas agências internacionais, foram mais de 70 mortos, em particular crianças, que as televisões mostraram com máscaras e mangueiras de água a correr, no que parecia ser uma tentativa de evitar males maiores. Trump ameaçou com uma intervenção militar. A Rússia referiu que não é nada com Assad. A meio do confronto verbal ficam os mortos, os feridos e a miséria que a discórdia agudizou.
Abdel Fattah Al-Sisi venceu novamente as eleições presidenciais no Egito, desta feita com 97% dos votos. No sistema constitucional deste país africano, o presidente é o responsável pela prossecução das políticas públicas enquanto responsável executivo. Relatos vários, referem que outros candidatos ou foram detidos ou desencorajados a participar no escrutínio, depois da existência de pressões por parte de elementos ligados às autoridades. No total, terão votado pouco mais de 41%. Parece que o tempo tende a voltar atrás.
Com alguns feridos, mas sem nenhum morto que se conheça, as coisas em Alvalade não andam bem. O mais perigoso, diga-se, é mesmo perceber que nem sempre se conhece os candidatos que elegemos. O que se tem visto, desde sempre, é um enlamear de instituições e pessoas, com recados laterais, críticas avulsas e faltas de respeito que roçam a agressão verbal e moral. Que bom seria que se falasse apenas de futebol.

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