Museu da Vista Alegre em festa pelo seu 55.º aniversário

O espaço museológico da Fábrica da Vista Alegre abriu ao público a 18 de junho de 1964. O Ilhavense conversou com a sua coordenadora, Filipa Quatorze, para fazer um balanço ao trabalho já realizado e perspetivar o futuro.

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O que se comemora a 18 de junho é a abertura do Museu ao público. Isto quer dizer que a sua história teve início antes?

Na Fábrica da Vista Alegre o interesse na criação de uma estrutura museológica manifestou-se desde o início da laboração, sendo que a noção de Museu se desenvolveu paralelamente à construção pela própria empresa de narrativas sobre o seu passado e a sua história. Ao longo do século XIX, e pelo menos desde 1839, são várias as referências à existência de um museu, sendo que este seria um repositório de peças antigas, exemplos da evolução tecnológica e artística da empresa, bem como modelos pedagógicos para novas criações. Nos inícios do século XX, o museu desenvolveu os processos de classificação e organização das suas coleções e em 1964 abriu ao público, de forma permanente, inaugurando um novo ciclo e abrindo no- vos modos de comunicação e relacionamento com os seus públicos.

Sendo a Vista Alegre uma empresa histórica, impunha-se ter o seu próprio museu?

Sendo a primeira unidade dedicada à produção de porcelana em Portugal, a fundação da Fábrica da Vista Alegre revestiu-se de especial importância enquanto obra industrial. Os critérios de antiguidade e continuidade temporal foram certamente determinantes no processo de construção de valor patrimonial, contudo não podemos esquecer a relevância do material produzido – a porcelana, cerâmica distintiva que possui no sistema de conhecimento e colecionismo europeu um lugar muito especial. Foi a confluência destes diferentes factores que impôs a valorização do património da empresa, a sua salvaguarda e comunicação através da constituição de um museu.

Após a profunda requalificação a que foi sujeito o centro patrimonial da Vista Alegre, no qual se inclui o museu, já é possível fazer um balanço a esta nova fase do museu. Houve novos ganhos após esta requalificação?

Um dos ganhos mais relevantes prende-se com a salvaguarda e conservação do património da Vista Alegre, que se encontra agora um espaço qualificado, quer de armazenamento, quer de exposição. Outra importante dimensão relaciona-se a promoção da acessibilidade física e intelectual às colecções e história da Vista Alegre, facilitada pelos novos espaços e conteúdos desenvolvidos. Como resultado deste projeto de requalificação o museu tornou-se numa estrutura central para a gestão do património da Fábrica Vista Alegre, que inclui as expo- sições permanentes e temporárias, a visita à Oficina de Pintura Manual da Fábrica e à Capela em Honra de N.ª Sr.ª da Penha de França, bem como a realização de oficinas de pintura em porcelana e modelação da pasta no Serviço Educativo do Museu (antiga Creche). Por último, quero ainda destacar a ligação com o Município de Ílhavo, que facilitou ao museu o reforço das parcerias locais e a integração no território com um maior alcance e profundidade.

Quantos visitantes recebe o museu por ano?

O Museu Vista Alegre recebeu cerca de 65.000 visitantes em 2018.

(Ler a entrevista na íntegra na edição em papel).

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