Agora que o bacalhau demolhado já fez as honras em muitas das nossas casas, é tempo de pensar no fogo de artificio, nas passas e nas nozes.

Aproveitar a brisa para dar um passeio na praia da Costa Nova ou da Barra, no primeiro dia do Ano Novo, só para contemplar a beleza que a natureza nos ofereceu. Alguns, muitos e mais fortes, aproveitam a manhã deste primeiro dia para dar um mergulho nas águas (bem) geladas da Barra.

Esquecer, durante umas horas, os trezentos e sessenta e seis dias que começam agora, no dia um. E com este esquecimento, olvidar, também, as preocupações, as dificuldades, a rotina e a monotonia, o pagamento de impostos e o IRS, as dores e as doenças que acompanham cada um de nós. A água gelada tem muitas propriedades. Uma delas, a amnésia seletiva. Podemos começar a relembrar tudo – incluindo as Finanças – no segundo dia.

Sendo o nosso concelho um ponto de partida para muitos que procuraram uma vida melhor no estrangeiro, foram muitos os carros, com matrícula estrangeira, a cruzar as ruas e avenidas da nossa terra. Muitos, fazendo bom uso dos inúmeros quilómetros feitos, ainda aproveitam para começar o novo ano no sítio que os viu nascer. Ver os familiares, rever velhos amigos, passar mais uns dias com os mais próximos e, tantas vezes, aproveitar para ir ver aquele amigo, aquele primo, aquela tia que não vemos há anos. Esta época é tão propícia a novos e velhos reencontros. São momentos que deixam os que vão de coração cheio e os que ficam com uma imagem daqueles que amam por muitos anos. Até à próxima visita.

Agora que mais um ano passou, temos trezentos e sessenta e seis dias pela frente. Entraremos em 2020 com a noção de que mais um ano tão longo passará num instante. E, com ele, virão novamente todas as coisas do ano de 2019, com renovada precisão. Umas melhores, outras nem por isso.
Virão mais cabelos brancos para a generalidade das pessoas – o que é bom sinal, visto que estaremos vivos –, mais projetos pessoais e profissionais, que esperemos tenham sucesso, mais alterações climáticas, mais chuva e sol quando esperávamos pelo seu contrário.

No fundo, em todas aquelas coisas que cada um de nós não controla porque não pode, esperemos que o ano que agora começa seja o menos surpreendente possível. Será bom sinal pois dessa forma saberemos com o que poderemos contar.

Ainda assim, existem expectativas para 2020 que não poderemos conjugar como bem gostaríamos. Em primeiro lugar, como é hábito afirmar-se, os impostos são uma destas expectativas. O que, diga-se, até pode ser positivo, pois se todos pagarem, todos pagaremos menos. Se assim for, o crescimento económico continuará a ser uma realidade, diminuindo ao mesmo tempo o desemprego, a exclusão social e as dificuldades da generalidade das pessoas.

Em 2020, teremos mais um dia para conseguir atingir estes objetivos. Poderá parecer pouco, mas é muito. Bastará que se queira. Vinte e quatro horas servem para muitas e boas coisas.

Boas coisas são uma boa forma de passar o Natal e entrar no novo ano. De maneira positiva, disponível, solidária e recíproca. No fundo, esperando que o ano que agora começa possa ser melhor do que aquele que há pouco terminou.

Um bem-haja e um ano novo melhor para todos.

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