Logo no primeiro dia, fustigou-nos com a notícia da morte de Carlos do Carmo de forma chocante e imprevista.

Pouco depois, levou-nos uma outra figura de relevo nacional, João Cutileiro.
É certo que, tanto um quanto o outro, ainda que por vias diferentes, não vão morrer, a obra que deixam perpetuá-los-á. Mas isso é o que se refere à obra feita.

E o futuro? E aquilo que perdemos em não termos cá o Carlos do Carmo a dar voz a novas interpretações dos nossos poetas, dos nossos músicos? E a perda que representa não podermos apreciar novas esculturas onde o intimismo, o erotismo e o amor do Cutileiro se expressem?

A morte torna sempre mais real aquela inevitabilidade, a evidência da fragilidade do ser humano!

Continuando a percorrer a galeria de quadros chocantes, 2021 volta a surpreender-nos com o assalto ao baluarte da democracia americana, o Capitólio, cuja causa parece ter sido o “mau perder” de um Presidente, no mínimo, controverso.

O próprio clima acompanhou este estranho amanhecer de ano, apresentando, até mesmo no ameno clima nacional, tempo muito frio e seco com o sol a dominar. 2021 estreou-se com um cenário térmico semelhante a uma vaga de frio, surpreendendo-nos com temperaturas bem abaixo da média.

E ainda de forma mais temível sobretudo pela incerteza do que nos rodeia, vamos ter que enfrentar as semanas mais difíceis da pandemia.
Na verdade, poderia continuar a impressionar-me perante a exposição de quadros dececionantes que a terceira década do século XXI patenteia ao público. Mas, mais uma vez, não quero ir por aí. Quero convencer-me que a nossa força será maior e que seremos capazes de reverter a inevitabilidade da deceção.

Convido-o, caro leitor, a jogar todos os dados que tem, para se proteger e defender das consequências do mau feitio que parece caracterizar este tão novo, mas já tão rabugento, 2021.

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