Tradicionalmente, o número de O Ilhavense de 15 de dezembro é dedicado ao Natal.

Este ano, destacamos a forma como esta época será vivida nos Lares de Idosos, na sequência das restrições provocadas pela pandemia e num contexto tão complexo para quem se vai ver privado do convívio familiar.
Para mim, o Natal não acontece quando um homem quer.
No calendário litúrgico há uma data que o reedita anualmente.
No contexto social há uma partilha de dar e receber. Seja o que for que cada um de nós ofereça, contém a implícita retribuição da alegria, da satisfação no cumprimento de um gesto que devolve o prazer a cada um que o pratica.
Este ano, tudo está subvertido, os afetos foram substituídos pela dúvida, incerteza, pelo medo. Serei egoísta talvez, ao pensar desta forma, mas como posso desejar “Boas Festas” quando nada está bem? Quando continuamos com a vida em suspenso, ameaçados por um inimigo invisível.
Há uma luz ao fundo do túnel? Pois há, mas quão longe se encontra?

Recordo as palavras de Eduardo Lourenço: “Sempre nos morreu alguém. Sempre nos morrerá alguém, sempre morrerá alguém a toda a gente. Nós só somos verdadeiramente quando esse alguém que contava para nós já não existe.”

Na verdade, neste Natal de 2020, não consigo, não encontro as palavras de alegria para proferir os votos habituais de felicidade. Sinto, talvez mais profundamente, a falta daqueles com quem me importo e que não podem estar aqui. Por isso, neste ano, neste presente, quero confessar-lhes como são essenciais para que eu me sinta verdadeiramente viva. Quero deixar bem marcado que, pese embora todo o distanciamento, me fazem tanta falta, desejo tanto a sua presença.

E caros leitores, não é certamente este o Editorial próprio de um número de Natal, mas serve sobretudo para refletirmos sobre o valor que cada momento da vida, ainda que banal ou fugaz, tem para nós, e como devemos aproveitar a presença de quem nos importa, enquanto ainda vai a tempo e, sobretudo, dar-lhe conta disso.

A todos, os meus votos de boa saúde e de tempos melhores.

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