Não vou ser politicamente correcta o que não é novidade para os meus amigos, mas estou fartinha de ver vinte e tal jeitosos a correr atrás de uma bola, sem esquecer os árbitros, os juízes de linha, etc., etc. Os Neros do antigamente diziam que “o povo quer é pão e circo”, hoje é sushi e futebol… Só vê e só come quem quer, por isso resolvo o meu problema: nem vejo, nem como… Pãozinho sim e então se for caseiro com cheirinho a lenha! Quanto a circo… Uma angústia nos tempos de menina: medo dos leões, choro com as maldades que o palhaço rico fazia ao faz tudo, pânico a temer a queda dos trapezistas, enfim só gostava mesmo era das meninas esbeltas e coloridas que nos tabuleiros pendurados ao pescoço andavam nos intervalos, bancada acima, bancada abaixo a vender guloseimas. Mas hoje, à noite a percepção do circo foi outra.
Numa Mulher chamada Tété encontrei o encanto que a criança não encontrou. Uma palhaça que não precisou de artifícios de palco para numa entrega total de alma aberta à vida, nos levar a descobrir a beleza ingénua e terna que o circo tem. Nela, brilhava a bandeira revolucionária sem símbolos, sem frases feitas a demonstrar que a procura de uma sociedade mais justa não é a Utopia com que me atiram areia para os olhos. Poderemos ser felizes, sim. Basta dar ao Outro o direito à gargalhada, o brilho no olhar só porque sim, só porque se está vivo… A palhaça falava e a mulher acreditava. E acreditou, de novo que a cultura não tem géneros, nem grades, nem “ismos” que a manietem. Dei por mim a pensar que bom seria se houvesse destas Tétés no governo a tentar proporcionar felicidade ao povo. Governo sombra? Não. Governo palhaço? Também não. “Para melhor está bem, está bem. Para pior já basta assim! “
Obrigada, Tété! Reconciliaste-me com o Sonho!

Por Zita Leal

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