Celebramos no próximo dia 19 de abril, 25 anos da elevação da Gafanha da Nazaré a cidade.

No passado dia 27 de março participámos no arranque destas comemorações, com a realização de uma edição do Quiosque da Memória dedicada a este momento, que foi também um mote para balanço e discussão viva acerca do seu significado.

A verdade é que a categoria de cidade distingue um território sobretudo no plano simbólico, como reconhecimento de um nível de desenvolvimento e dimensão alcançados através do trabalho da sua população e das suas instituições. E é fácil relegar essa dimensão simbólica para um lugar de pouca importância, porque tendemos a confundir a qualidade de “símbolo” com a de algo pouco útil.

A discussão que ocorreu nessa noite, a propósito da leitura de notícias de outrora d’O Ilhavense, veio esclarecer, no entanto, a importância dessa dimensão. Quando um cidadão articula frases como “de que vale ser cidade, se…” ou “somos cidade, mas…”, isso evidencia imediatamente o efeito desse reconhecimento. O facto de este território ser reconhecido como cidade permite esta exigência acrescida: o sentido de que deve cumprir um conjunto de critérios e de que as suas infraestruturas e condições de vida devem ser coerentes com este título.

Uma outra discussão que surgiu no decorrer dessa animada conversa foi a especulação acerca do que teria sido se esta elevação a cidade não tivesse ocorrido. Um exercício de história contrafactual que pode ser interessante, mas cuja validade das conclusões nos será sempre inacessível. O que teria sido igual? O que teria sido diferente? Nunca saberemos. O que sabemos é que, ao longo de 25 anos, a Gafanha da Nazaré se tem afirmado, a todos os níveis, como um território atrativo, dinâmico e vivo, cuja comunidade defende com brio o seu estatuto de cidade.

Para O Ilhavense, é um prazer e uma honra ir contando esta e outras histórias, acompanhando há mais de um século a trajetória de trabalho e desenvolvimento da nossa comunidade – para a narrar e para a preservar.

Parabéns à Gafanha da Nazaré.

–//–

Publicado no nº 1395 d’O Ilhavense,
de 15 de abril de 2026.
Assine o jornal aqui.