Analisem-se os números (e não só) da abstenção

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Maria José Santana (Diretora d'O Ilhavense)

Nesta edição, como não podia deixar de ser, olhamos para os resultados das eleições Legislativas de 6 de outubro. Recusando-me a entrar nessa tentativa de apurar qual o real vencedor no concelho e nesta ou naquela freguesia, não posso deixar de lamentar esse triste facto: a taxa de abstenção no município foi de cerca de 53 por cento, uma das mais altas no distrito de Aveiro.

Sabemos que o problema não é exclusivo do município – a nível nacional, a abstenção foi de cerca 45 por cento -, mas a nós cabe-nos olhar para a realidade ilhavense. Um concelho onde existem 35.987 eleitores inscritos, mas em que apenas 16.848 exerceram o seu dever de votar, a 6 de outubro.

É difícil de entender. Mesmo para alguém, como eu, que nasceu depois do 25 de abril. O direito de voto é um direito pessoal e constitui um dever cívico assente numa responsabilidade de cidadania. E se há quase metade da população a não assumir essa sua responsabilidade de cidadania urge encetar uma reflexão séria e exaustiva.

Sem seguir o caminho da aplicação de sanções ou coimas em caso de incumprimento do dever de votar – até porque, assim, passava a ser uma obrigação –, devemos começar a tomar medidas para alterar este cenário que tem tudo para nos envergonhar.

Recordo-me de, um dia, ter ouvido um amigo a comparar a conquista do direito de votar à autorização para tirar a carta de condução. “Aos 18 anos, um jovem conquista o direito de votar e a possibilidade de obter a carta de condução, com essa grande diferença: tem de frequentar aulas e aprender a conduzir antes de obter a carta”, reparava ele, na altura. No dia 6 de outubro, voltei a lembrar-me desta conversa entre amigos, ainda que tenha a consciência que a abstenção não é um fenómeno exclusivo dos mais mais jovens. Analisem-se os números e também os factores que estão a afastar os portugueses das urnas, de forma a reverter o cenário.

Nesta edição apresentamos-lhe a YOCOCU Portugal, associação presidida por Rui Maio. Uma instituição que pretende sensibilizar a sociedade e despertar consciências para as questões do património e que no próximo dia 26 de outubro vai realizar um seminário subordinado ao tema do “Património Cultural Industrial Cerâmico”. O evento irá decorrer no Laboratório das Artes da Vista Alegre e é aberto a todos os cidadãos.

Destaque, também, para os Festivais de Outono da Universidade de Aveiro que, desta vez, chegam ao nosso território. Os responsáveis pela instituição de ensino superior entenderam (e bem) alargar o programa a cidades onde a universidade tem cursos ou instalações. Sendo Ílhavo a “casa” do PCI – Parque de Ciência e Inovação e do Ecomare – Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos, o nosso município é um dos felizes contemplados com este crescimento dos festivais (ver página 13). Por falar em Ecomare: o laboratório da UA não conseguiu sair vitorioso nos RegioStars, mas saiu de Bruxelas de cabeça erguida por ter conseguido um lugar entre os finalistas. Esteve entre os 24 projetos seleccionados a partir de um total de 200 e foi o único representante português na competição.

Também olhamos para o 48.º aniversário do grupo de jovens “A Tulha”, instituição à qual faço questão de endereçar votos muito especiais. Foi com ela que cresci, é a ela que devo parte daquilo que sou e só posso sentir-me feliz ao ver que o barco continua a ser levado a bom porto. Parabéns.

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