Este ano, o ritual não se cumpriu

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Maria José Santana (Diretora d'O Ilhavense)

Esta segunda-feira devia ter sido dia de festa. Com direito a homenagens,  discursos e apontamentos culturais. Desde que sou jornalista – já lá vão mais de 20 anos – deverão ter sido poucas as sessões solenes do Feriado Municipal de Ílhavo que não tive de acompanhar. Era um clássico, como tantos outros. Com mais ou menos matéria noticiável, maior ou menor destaque, mas sem nunca deixar de respeitar a tradição. 

Este ano, o ritual não se cumpriu. Não houve distinções honoríficas, nem discursos e o feriado municipal foi passado em casa – tal como têm sido passados os últimos dias. Tentámos colmatar a falha da cerimónia do feriado municipal – mesmo sabendo que ela é insubstituível –, fazendo chegar aos nossos leitores uma das tradições da sessão: todos os partidos representados na Assembleia Municipal tomavam da palavra. 

A pandemia de Covid-19 continua a alterar tudo aquilo que dávamos por garantido e, pior do que tudo isso, a roubar vidas. Só aqui no município já fez 12 vítimas mortais, dez das quais no Lar de São José, que vive dias de muita preocupação. Há mais 29 utentes infetados e a equipa de cuidadores tem sido escassa perante a exigência do momento.

É expetável que o estado de emergência seja prolongado para além da data de 17 de abril. Ainda não há data prevista para o regresso à normalidade, mas é quase garantido que ele vai ser gradual e progressivo. Vivemos tempos de incerteza. Empresários, autarcas, educadores, estudantes, cidadãos em geral, tentam adaptar-se às vicissitudes deste momento de crise. 

Disso é exemplo a aposta do 23 Milhas. Perante a impossibilidade de receber o público nas suas instalações, o projeto cultural do município decidiu ir ao encontro dos cidadãos. Está agora a levar a cultura até à casa dos ilhavenses, através das ondas hertzianas e também da internet. E, semanalmente, também nos apresentam um conjunto de propostas culturais para usufruir a partir de casa. 

Por esta altura, há já quem ande a refletir sobre o que vamos ser depois disto, como vai ficar a nossa sociedade após a pandemia. É legítimo que o façam, mas importa não esquecer o momento presente, sem baixar a guarda.

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