No passado dia 5 de Outubro celebrou-se o Dia da Implantação da República: cento e oito anos após a revolução do Partido Republicano Português, o que haverá a dizer acerca dos ideais que fundaram a nossa sociedade actual? A evolução que se pretendia na altura foi concretizada. Saíram os reis e entraram os políticos. E a evolução dos dias de hoje? Estará no bom caminho?

A mudança ocorreu mesmo ou será que os Reis apenas mudaram de figura?

Na altura, a “subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (o Partido Progressista e o Partido Regenerador), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito.” – Wikipedia

E hoje diríamos que a “subjugação do país” aos interesses das multinacionais europeias, os gastos da família parlamentar, o poder da Igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância entre os dois maiores partidos (PSD E PS), a ditadura do petróleo, e a aparente incapacidade social de acompanhamento da evolução dos tempos e de adaptação à modernidade – tudo contribui para um inexorável processo de erosão da sociedade portuguesa do qual os defensores dos grandes grupos económicos, particularmente alguém, sabem tirar o melhor proveito.

A sociedade livre, justa e solidária, baseada na soberania popular, apresenta graves fissuras nos seus alicerces.

Vivemos num sistema social assente numa economia escravizada pelo petróleo, obcecada pelo crescimento infinito, mas com recursos finitos. E pagamos para viver no mundo empresarial. Vendemos tempo, para comprar o que nos querem vender.

E onde estão os defensores da República de hoje? Dá que pensar.

Em Ílhavo, felizmente, temos tido um bom progresso social. A qualidade de vida dos mais velhos estará, esperamos nós, a melhorar. Com um rol de actividades presente durante quase todo o ano, não teremos “desculpa” para nos ausentarmos da nossa sociedade democrática. Para nos fecharmos em casa e nos alhearmos dos nossos deveres enquanto cidadãos, para dizermos que “em Ílhavo nada acontece”. As atividades da Câmara Municipal de Ílhavo e do tecido de associações locais têm sido frequentes. E se a isto juntarmos a evolução das competências das Juntas de Freguesia do Município, teremos muitas razões para acreditar que os tempos estão a mudar. Resta-nos saber acompanhar e adaptar este novo rumo a todas as gerações. Porque os “velhos” são importantes, mas os “novos” não podem ir todos “trabalhar para fora”.

De salientar, nesta edição mais uma versão da recente rubrica “Homens e Mulheres que em terra também escreveram a história de Ílhavo” (pág. 8), desta vez focada no ilhavense, por adopção, Alfredo Ferreira da Silva, que reflete perfeitamente o exemplo de cidadania que falávamos atrás.

Também no campo das melhorias, destacamos a construção do Parque de Merendas da Vista Alegre (pág. 11), que virá contribuir para a qualidade de vida dos ilhavenses.

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