Lidera a freguesia mais pequena do município de Ílhavo. Como é que encara o cargo?

É uma honra, mas tem sido difícil. Sendo uma freguesia pequena, as fontes de rendimento não abundam e vivemos muito à custa do subsídio da câmara, daí os contratos interadministrativos serem essenciais, e das transferências que vêm da administração central. Não é fácil. 

E está satisfeito com os contratos que tem rubricado com a Câmara Municipal de Ílhavo?

Sim. Todos os anos digo, e volto a dizer, que estamos satisfeitos. Tenho de reconhecer que os meus colegas presidentes das outras freguesias do município são solidários, pois prescindem de um pouco do que podia calhar-lhes a eles, para calhar à Gafanha do Carmo. Muito obrigado a eles e à sensibilidade que a Câmara tem para com a nossa freguesia. O presidente Fernando Caçoilo tem revelado ser um grande líder e uma faceta humana extraordinária.

Fernando Caçoilo e Luís Diamantino são do mesmo partido…

O facto de sermos do mesmo partido pode ajudar a termos mais momentos de convívio e de trabalho, mas há um reconhecimento pessoal que tem de ser feito. O Eng.º Fernando Caçoilo é uma pessoa muito acessível e humana. E a crise da Covid-19 veio revelar ainda mais essa faceta.

Já que fala na pandemia da Covid-19… qual tem sido o impacto na freguesia da Gafanha do Carmo?

Não houve aumento de casos desde finais do mês de março. Tivemos dois casos assinalados, mas que já recuperaram e estão negativos há muito tempo. Os nossos habitantes portaram-se muito bem e quando lhes foi pedido para ficar em casa, ficaram. E daí ficarmos apenas com esses dois casos. 

O lar do Centro Comunitário da Gafanha do Carmo mereceu-vos uma preocupação e acompanhamento especial?

Sim. Estivemos sempre a trabalhar em articulação com o presidente da associação e, felizmente, não tivemos nenhum caso. A equipa do centro comunitário está de parabéns.

Acha que vai haver necessidade de dar apoio a famílias ou comerciantes em dificuldades?

Estamos atentos. Temos apenas um restaurante, dois ou três cafés, e parece-nos que não há muita adesão da população a voltar aos estabelecimentos comerciais. Da nossa parte, o que já estamos a fazer é a contribuir com algum álcool gel para esses cafés e restaurantes, para proteger as pessoas que lá vão. Em termos de famílias, houve uma ou outra situação, mas demos seguimento para os serviços sociais da Câmara. 

A freguesia está bem servida de equipamentos públicos?

Falta sempre qualquer coisa. Não é possível ter todos os serviços públicos em todas as freguesias. Gostaríamos de ter uma farmácia, mas não temos moradores suficientes e nenhum privado quer investir. Também gostaríamos de ver o Centro Comunitário ampliado, mas aí já não depende de nós. 

A extensão de saúde está a funcionar bem?

Sim, tem estado a funcionar bem. O edifício precisa de uma requalificação,  a câmara já está ciente disso e tomou as devidas precauções. 

Como é o tecido associativo da freguesia?

Para o tamanho da freguesia, eu diria que é muito bom. Temos dois grupos desportivos, um rancho folclórico, um grupo de escuteiros, a associação de pais e a associação de solidariedade social. Temos um tecido associativo que abrange todas as áreas e o mais importante é que, quando é necessário fazer algo pela terra, a malta une-se. 

Falta-vos o tão falado centro cívico…

A Câmara Municipal já negociou com os proprietários [dos terrenos], já existe um projeto para o centro cívico e pensamos lançar o concurso da obra até ao final do ano. 

Também estamos a trabalhar num outro projeto que passa pela criação de um pequeno parque ribeirinho junto à ria. Queremos que, pelo menos, no verão de 2021 esteja ativo. 

Depois, temos também a questão do pavilhão desportivo, que precisa de obras urgentes. A câmara também está ciente disso e tenho a garantia de que até ao final do mandato poderemos fazer a requalificação.

Depois, falta-nos o saneamento básico, mas é algo que não depende de nós. 

A propósito do parque ribeirinho, acha que a frente ria da Gafanha do Carmo podia ser aproveitada a nível turístico?

Temos um ou outro local que podia ser aproveitado para o turismo, mas quem manda na ria não se desloca ao local. Dou um exemplo: não cabe na cabeça de ninguém que, no âmbito da dragagem que andam a fazer, não possam colocar dragados aqui deste lado, onde faz falta. Temos uma frente ria maravilhosa, gostávamos muito de fazer uma praia fluvial, mas não está fácil. Bastava um pequeno areal. 

Ainda por cima num ano como este em que já sabemos que vamos ter constrangimentos no acesso às praias… 

Prova disso é que nestas últimas semanas notou-se um aumento de pessoas a fazerem a sua caminhada ou corridinha no nosso Caminho do Praião. Como não podiam ir para a praia, faziam o seu passeio aqui deste lado. E foi bonito ver as pessoas a usufruírem deste percurso junto à ria.  

Aproximam-se novas eleições autárquicas. Já está a pensar na recandidatura?

Não. Ainda é cedo. Só serei candidato se o partido quiser e se eu próprio estiver satisfeito com o meu trabalho. Se o saldo for positivo, poderei ser candidato. Mas imagine que aquelas obras de que eu falei não vão para o terreno… não tenho cara para ser candidato. 

Mas gosta de ser presidente de junta?

Sim. Gosto de servir. E sentimo-nos realizados quando conseguimos fazer a diferença pela positiva. Gosto de me sentir útil. 

A Freguesia da Gafanha do Carmo está prestes a comemorar o seu 60.º aniversário…

A 17 de setembro, para ser mais preciso. Tínhamos algumas coisas em mente para o aniversário mas, perante a pandemia, não vai ser possível. Gostaria de, pelo menos, nesse dia estar a apresentar o projeto do centro cívico à população, nem que seja num formato digital. 

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